A cadeia espanhola de supermercados, continua a destacar-se no setor da distribuição alimentar com uma margem de lucro difícil de igualar. Em 2024, a Mercadona atingiu uma margem líquida de 3,88%, consolidando a sua liderança num mercado altamente competitivo.
Liderança isolada no sector
De acordo com o HuffPost, este valor representa uma distância significativa em relação a outras grandes cadeias internacionais.
As concorrentes mais próximas, como a Costco (2,95%), a Walmart (2,88%) e a Tesco (2,87%), ficam aquém do desempenho da empresa valenciana. Em território espanhol, a diferença é ainda mais notória: o Carrefour registou apenas 0,93% e a cadeia DIA encerrou o ano com prejuízos.
Um modelo de eficiência rigorosa
Segundo a mesma fonte, este resultado da Mercadona não surgiu por acaso. A empresa liderada por Juan Roig tem seguido uma estratégia de gestão assente na eficiência total, o que inclui uma seleção rigorosa do sortido de produtos disponíveis e o foco nas marcas próprias, como Hacendado, Bosque Verde e Deliplus. Estas representam mais de metade das vendas totais da empresa.
A Mercadona tem vindo a reduzir o número de referências nos seus supermercados, facilitando a gestão de stocks e aumentando a rotação dos produtos.
Esta escolha estratégica permite uma otimização logística e garante preços mais competitivos, contribuindo para margens mais elevadas.
Relações sólidas e duradouras
Ainda segundo o HuffPost, outro dos pilares da estratégia passa por manter relações consistentes e duradouras com fornecedores. A empresa colabora com os mesmos parceiros desde a década de 1990, promovendo uma cadeia de abastecimento estável e previsível.
Esta relação beneficia ambos os lados: a Mercadona assegura qualidade e fiabilidade, enquanto os fornecedores encontram condições estáveis de negócio.
Além disso, todas as negociações são realizadas de forma centralizada, o que significa que os mais de 1.600 pontos de venda da Mercadona operam sob as mesmas condições. Esta uniformidade garante uma vantagem negocial considerável perante os distribuidores.
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Crescimento sem publicidade
A Mercadona adotou também uma abordagem pouco comum no setor: praticamente não investe em marketing convencional. De acordo com a mesma fonte, a empresa aposta no reconhecimento da marca e no efeito de recomendação entre consumidores, o chamado “passa-palavra”.
Esta estratégia tem reduzido custos de comunicação e reforçado a imagem de fiabilidade junto dos clientes. Com um investimento contínuo na melhoria da qualidade dos produtos e um controlo apertado dos custos operacionais, a empresa tem conseguido consolidar o seu posicionamento no mercado.
As melhorias constantes nas áreas de logística e automação têm também contribuído para uma operação mais eficiente e rentável.
Uma trajetória ascendente
O HuffPost recorda que esta tendência de crescimento tem vindo a consolidar-se há vários anos. Em 2019, a margem de lucro da Mercadona era já de 2,7%, valor que superava a média do setor. Desde então, a empresa conseguiu melhorar progressivamente os seus indicadores, até alcançar os 3,88% em 2024.
Numa altura em que a maioria das grandes superfícies luta para manter margens entre 1% e 2%, a Mercadona surge como uma exceção no panorama europeu da grande distribuição. A sua fórmula de eficiência, marcas próprias e gestão centralizada parece estar a produzir resultados consistentes.
Um modelo que faz a diferença
Com este desempenho, a empresa não só mantém a liderança no mercado espanhol como reforça a sua imagem de caso de estudo em termos de gestão de retalho. A distância face à concorrência levanta questões sobre a sustentabilidade dos modelos tradicionais adotados por outras cadeias.
Embora o sucesso da Mercadona esteja associado a múltiplos fatores, como refere o HuffPost, é sobretudo a aplicação rigorosa de um modelo empresarial centrado na eficiência que permite alcançar estes resultados fora do comum. A margem de lucro de 3,88% não é apenas um número: é o reflexo de uma estrutura cuidadosamente planeada e executada.
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