A imagem idílica de Portugal como um paraíso à beira-mar atrai milhares de estrangeiros todos os anos, mas a realidade do quotidiano acaba por dissipar o encanto inicial de muitos recém-chegados. Uma família norte-americana, que decidiu viver nos arredores da capital, decidiu partilhar publicamente as dificuldades e os aspetos negativos que encontrou após a mudança para Portugal.
A família americana autora do blogue American Family in Portugal descreve a sua experiência no país com um misto de amor e frustração, alertando outros potenciais imigrantes para os desafios que enfrentarão. Embora reconheçam as qualidades do país, a matriarca da família foi perentória ao descrever o estado de higiene da capital, afirmando categoricamente que “Lisboa é nojenta às vezes”.
Esta declaração surge num contexto de crítica severa à forma como o espaço público é tratado nas grandes cidades portuguesas. A família confessa adorar Lisboa e visita a baixa frequentemente, mas admite ter dificuldade em compreender a falta de civismo que testemunha nas ruas da cidade.
Lixo no chão e falta de civismo
A crítica incide sobre a incompreensível falta de cuidado de locais e turistas com o asseio urbano. O casal relata que encontra frequentemente lixo atirado para o chão e dejetos caninos por recolher nos passeios, lamentando que haja tão pouco respeito pela limpeza de uma cidade que consideram encantadora.
Indica a mesma fonte que a proliferação de graffiti é outro problema massivo que afeta a paisagem urbana. Os americanos mostram-se chocados com a quantidade de vandalismo nas paredes, considerando que o país passou de um extremo de controlo no passado para uma permissividade total onde a propriedade é danificada sem consequências.
Oportunismo e preços para estrangeiros
Uma das queixas mais duras prende-se com a sensação de serem vistos como “carteiras ambulantes” por alguns comerciantes locais. O casal denuncia a existência de restaurantes que oferecem menus com preços para locais e outros, mais caros, para estrangeiros, uma prática que consideram desonesta e abusiva.
Explica a referida fonte que esta desconfiança se estende ao setor da construção e das reparações domésticas. Ao pedirem orçamentos para obras numa casa, receberam propostas díspares que variavam entre os 200 mil e os 850 mil euros, criando uma incerteza total sobre a honestidade dos prestadores de serviço.
Esgotos frágeis e contas de luz elevadas
O sistema de saneamento básico é descrito como rústico e incapaz de lidar com as conveniências modernas em algumas zonas do país. Os americanos mostram-se surpreendidos pelo facto de em muitos locais não se poder colocar papel higiénico na sanita e pelos odores desagradáveis que emanam das condutas superficiais.
Além disso, o clima ameno esconde desafios habitacionais sérios relacionados com a humidade e o frio dentro de casa. O bolor é identificado como um problema de saúde recorrente, obrigando ao uso constante de aquecedores que fizeram a sua conta da luz disparar para perto de 800 euros num mês de inverno.
Burocracia lenta e greves
A lentidão dos serviços administrativos e a burocracia excessiva são apontadas como entraves desgastantes para quem vem de fora. A família descreve o sistema como antiquado e aconselha vivamente a contratação de advogados para tratar de qualquer papelada, dada a complexidade dos processos.
Explica ainda o blogue American Family in Portugal que a frequência das greves é outro fator de instabilidade na rotina familiar. O casal recorda que os filhos chegaram a ficar sem aulas durante mais de uma semana devido a paralisações, algo que consideram difícil de gerir para quem trabalha.














