Para muitos passageiros, voar é um processo rotineiro e tranquilo. No entanto, sempre que o avião começa a tremer, a ansiedade instala-se. A verdade é que a turbulência, apesar de desconfortável, faz parte da experiência de voo e raramente representa perigo real. Ainda assim, há erros comuns que podem colocar os viajantes em risco sem se aperceberem, como revela este ex-piloto de aviação.
Turbulência: o que é realmente?
A turbulência ocorre quando o avião encontra correntes de vento fortes que o empurram ou puxam, causando oscilações que se sentem na cabine, refere o jornal Mirror. Normalmente, os radares conseguem detetá-la atempadamente, mas existe a chamada “turbulência em ar limpo”, que surge sem aviso prévio, apanhando todos desprevenidos. Mesmo assim, os pilotos garantem que as aeronaves estão preparadas para suportar estas forças sem qualquer dano estrutural.
Um aviso de quem já ‘viu de tudo‘
O piloto reformado Richard Wells explicou que, ao longo da sua carreira, presenciou momentos de grande susto a bordo, sobretudo quando passageiros não cumpriram as orientações de segurança. “Já vi pessoas a serem projetadas para cima durante descidas repentinas porque não estavam com o cinto colocado”, referiu, citado pelo Birmingham Mail.
Estas situações, embora raras, podem causar ferimentos graves, sobretudo quando há impactos no teto da cabine ou queda de bagagem dos compartimentos superiores.
Primeiro erro: ignorar o cinto
Um dos maiores erros apontados pelo piloto, citado pela mesma fonte, é o facto de muitos passageiros não manterem o cinto apertado enquanto estão sentados. Mesmo quando o sinal está apagado, recomenda-se que o cinto permaneça colocado, uma vez que a turbulência pode surgir sem aviso.
A maior parte dos acidentes a bordo, relacionados com turbulência, envolvem passageiros ou tripulantes que não estavam devidamente sentados e seguros no momento do incidente.
Segundo erro: levantar-se com o sinal ligado
Outro erro comum é levantar-se para ir à casa de banho ou para aceder aos compartimentos de bagagem quando o sinal de apertar cintos está ativo. Richard alerta: “Se o sinal está ligado, não se levante, mesmo que seja por pouco tempo”. Esta atitude coloca em risco não só a pessoa em causa, mas também outros passageiros, pois qualquer desequilíbrio pode resultar em quedas ou colisões dentro do corredor.
Perigo dos compartimentos superiores
O piloto lembrou ainda que já assistiu a passageiros a serem atingidos por objetos que caíram dos compartimentos superiores, principalmente durante momentos de turbulência mais intensa. Caso seja mesmo necessário mexer na bagagem, recomenda-se que se espere por momentos de estabilidade e, preferencialmente, que se peça ajuda à tripulação.
Terceiro erro: o pânico desnecessário
O último erro apontado por Richard Wells é o pânico excessivo durante a turbulência. Apesar de ser desconfortável, a turbulência não representa perigo real para o avião. “Os aviões são construídos para aguentar isto. Estruturalmente, é apenas como um buraco na estrada”, explicou, citado pela mesma fonte. Gritos ou reações exageradas criam tensão desnecessária no ambiente da cabine, afetando também outros passageiros.
Para quem tem medo de voar, Richard recomenda técnicas simples como respirar fundo, relaxar os ombros e distrair-se com música, leitura ou conversa. Estas pequenas estratégias ajudam a manter a calma durante os momentos de maior instabilidade, evitando o pânico que se espalha rapidamente num espaço fechado como um avião.
Em turbulência severa
Nos casos de turbulência mais forte, a tripulação pode pedir aos passageiros que se encostem ligeiramente ao banco da frente, numa posição de contenção leve, garantindo maior estabilidade do corpo, segundo a fonte anteriormente citada. Ainda assim, o piloto garante que, desde que os passageiros sigam as orientações e mantenham o cinto de segurança colocado, não há motivo para preocupações.
Segurança em primeiro lugar
Dados do setor, citados pelo Birmingham Mail, mostram que os ferimentos causados por turbulência estão quase sempre associados a pessoas que não estavam sentadas ou que ignoraram os avisos dos tripulantes. Manter o cinto colocado não é apenas uma formalidade, mas sim a principal forma de proteção durante o voo.
Richard Wells deixou um último conselho para todos os que viajam de avião: “Não se preocupem demasiado com a turbulência. É incómoda, mas não perigosa. O essencial é manterem-se seguros e tranquilos”. Estas palavras pretendem tranquilizar os viajantes que, por vezes, associam pequenas oscilações a grandes riscos.
Viajar com confiança
Para quem viaja com frequência, estas dicas são uma boa forma de relembrar cuidados simples que podem fazer toda a diferença. Compreender o funcionamento do avião e os procedimentos de segurança ajuda a reduzir o medo e torna a experiência de voo muito mais confortável.
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