Certas espécies de peixe escondem perigos invisíveis que podem ir de simples incómodos digestivos a intoxicações graves ou mesmo fatais. De acordo com o portal argentino Infobae, um dos mais lidos da América Latina, especialistas alertam que toxinas naturais acumuladas nos tecidos de alguns peixes podem colocar em risco a saúde de quem os consome, mesmo em pequenas quantidades.
Ao contrário do que muitos pensam, o perigo não se vê a olho nu. Estas toxinas não alteram a cor, o cheiro ou o sabor da carne, tornando difícil a sua deteção. A BBC Science Focus Magazine lembra que os riscos variam de acordo com a espécie e com a dieta do peixe, muitas vezes influenciada por algas, bactérias ou fitoplâncton.
O peixe-balão e a tetrodotoxina mortal
Um dos exemplos mais conhecidos é o peixe-balão, ou fugu, consumido no Japão. Este peixe contém tetrodotoxina, uma neurotoxina considerada cem vezes mais letal do que o cianeto. Quando ingerida, bloqueia a transmissão de impulsos nervosos, podendo causar paralisia e insuficiência respiratória em poucos minutos.
A gravidade da intoxicação é tal que, no Japão, apenas chefs com formação e licença oficial podem preparar este prato. O objetivo é reduzir o risco de acidentes fatais, já que não existe antídoto eficaz contra a tetrodotoxina.
Peixes que provocam alucinações
Nem sempre os riscos são mortais, mas podem ser igualmente perturbadores. A salema, comum no Mediterrâneo e no Atlântico oriental, pode induzir alucinações visuais e auditivas semelhantes aos efeitos do LSD. O fenómeno, chamado ictioalileinotoxismo, está associado a toxinas produzidas por algas ingeridas pelo peixe em determinadas épocas do ano.
Por essa razão, a espécie é apelidada em algumas zonas de “peixe dos sonhos”, já que o consumo pode desencadear experiências psicadélicas inesperadas.
Ciguatoxina em espécies de recife
Outro risco crescente é a ciguatoxina, presente em peixes de recife como barracudas, garoupas, pargos e moréias. Esta toxina acumula-se nos tecidos e, quando ingerida, pode provocar sintomas digestivos e neurológicos em apenas 30 minutos.
Com o aquecimento global e a degradação dos corais, os especialistas alertam que a presença desta toxina poderá aumentar, tornando os peixes de recife uma escolha cada vez mais arriscada em certas regiões.
Metais pesados e peixe de grande porte
Para além das toxinas naturais, os metais pesados também representam perigo. O mercúrio, por exemplo, acumula-se em espécies maiores como o peixe-espada, o tubarão e a cavala gigante. O consumo frequente pode provocar danos neurológicos, problemas renais e afetar o desenvolvimento em crianças e grávidas.
Estudos citados pela BBC confirmam que a exposição prolongada ao mercúrio está associada a alterações no sistema nervoso e ao aumento de riscos para a saúde a longo prazo.
Precauções para consumidores
Para reduzir os riscos, especialistas citados pelo portal Infobae recomendam variar o consumo de peixe, privilegiar espécies de menor porte e respeitar os avisos sanitários locais. Garantir a origem do pescado e evitar partes como fígado, cabeça e vísceras de espécies predadoras também são medidas de prevenção.
Apesar dos perigos, a maioria dos peixes continua a ser segura e benéfica para a saúde. O essencial é conhecer os riscos associados a determinadas espécies e adotar hábitos de consumo conscientes, evitando surpresas desagradáveis.
Leia também: Conheça a infração que mais está a multar estes carros em Portugal (e não é excesso de velocidade)
















