Servida em finas fatias, a solo ou com azeite e amêndoas, esta especialidade de peixe curado é, conforme o portal espanhol Okdiario, presença habitual tanto no sul de Espanha como no Algarve. Este petisco mantém um sabor intenso e distinto que surpreende muitos visitantes que desconhecem a sua origem.
Conhecida sobretudo nas regiões costeiras da Andaluzia e no Algarve, a muxama é considerada uma das mais antigas formas de conservar peixe no sul da Península Ibérica. O nome deriva do árabe “mušamma‘”, que significa “encerado”, numa referência ao seu aspeto brilhante e compacto.
O método de preparação deste petisco mantém-se fiel às práticas tradicionais: a partir dos melhores lombos de atum, especialmente do atum-rabilho.
Um produto de sal e tempo
De cada atum retiram-se as peças de maior qualidade, cobrem-se com sal grosso e são prensadas durante um a dois dias. Segundo a mesma fonte, após a salga, inicia-se o processo de secagem ao ar, que pode durar várias semanas. Esta cura dá origem a três categorias de muxama: a “extra”, proveniente do centro do lombo; a “primeira”, retirada de zonas adjacentes; e o solomillo, mais seco e de textura mais firme.
A textura deste petisco é densa e fibrosa, sem se desfazer como o atum fresco nem partir como carnes curadas.
Um petisco que pode preparar em casa
Apesar de ser mais comum adquirir a versão já pronta, é possível fazer muxama em casa. Refere a fonte acima citada que basta um lombo de atum de qualidade, sal grosso e um período de cura em local frio e arejado. O peixe é enterrado em sal durante dois dias, lavado, seco e depois deixado a perder água de forma gradual, no frigorífico ou num espaço fresco. Ao fim de uma semana já pode ser consumido, sendo recomendada uma cura de duas a quatro semanas de secagem.
Servida em fatias finas, a muxama combina bem com azeite virgem extra, amêndoas torradas ou tomate fresco, refere a mesma fonte. É frequente encontrar este petisco em bares e restaurantes junto à costa, especialmente durante os meses de verão.
Valor nutricional e consumo
De acordo com o Okdiario, a muxama é rica em ácidos gordos ómega-3, proteínas e vitaminas A, D e B3, além de minerais como ferro, potássio e magnésio. Contudo, o elevado teor de sal requer moderação, sobretudo em casos de hipertensão.
Com uma história que atravessa séculos, a muxama continua a ser um símbolo da gastronomia algarvia, apreciada tanto por locais como por visitantes curiosos que se deixam surpreender pelo seu sabor.
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