Portugal é um dos destinos mais ricos em marisco, graças à extensa costa e às ilhas que permitem capturas diversificadas. De acordo com o Clube do Vinho Pingo Doce, as águas frias favorecem o desenvolvimento de espécies mais nutritivas, o que se traduz em maior intensidade de sabor. A pesca artesanal, ainda praticada em várias regiões, contribui para uma frescura difícil de igualar, muitas vezes com o produto a chegar diretamente do mar para o prato.
Quando o marisco é de qualidade, a escolha do vinho torna-se determinante para garantir uma experiência gastronómica completa. Segundo a mesma fonte, um erro comum é servir arroz de marisco intenso com um vinho demasiado leve, como um Vinho Verde típico. Esta opção, embora popular, resulta numa harmonização desequilibrada, pois a frescura e a leveza do vinho não conseguem acompanhar a riqueza e o peso do prato.
Quando o prato é arroz de marisco
O arroz de marisco, pelas suas características marcantes e textura envolvente, exige vinhos que consigam equilibrar e valorizar os sabores. Escreve a secção de vinhos da cadeia portuguesa de supermercados que brancos encorpados, rosés gastronómicos e tintos leves servidos frescos são escolhas adequadas. Entre estes últimos, Palhetes, Negra Mole do Algarve, Pinot Noir e Castelão, quando servidos a cerca de 14 graus, harmonizam sem sobrepor o sabor do prato.
Já variações mais leves, como arroz de lingueirão, amêijoas ou berbigão, beneficiam de brancos e rosés mais jovens e elegantes. Acrescenta a publicação que regiões, como Dão, Beiras, Lisboa, Bairrada e Madeira produzem vinhos que encaixam bem nestas receitas.
Combinações a evitar
Refere a mesma fonte que, tal como não é aconselhável usar vinhos leves demais num prato intenso, também é desaconselhado servir mariscos delicados com vinhos excessivamente encorpados ou envelhecidos em barrica. Nestes casos, o vinho pode dominar o sabor do prato e comprometer o equilíbrio da refeição.
No caso de outras receitas, como amêijoas à Bulhão Pato, vinhos com frescura e ligeiro perfil vegetal são a melhor escolha. Preparações mais ricas, como crustáceos grelhados ou com molho cremoso, pedem vinhos mais estruturados, capazes de acompanhar a intensidade. A chave está sempre em adaptar a escolha ao perfil do prato.
A regra essencial
Seja com arroz, açorda ou massas de marisco, a harmonização correta passa por respeitar a intensidade e o tipo de sabor de cada receita. Conforme a mesma fonte, um vinho bem escolhido não só acompanha como realça o prato, tornando a experiência mais completa. Por isso, conhecer as características da preparação é fundamental para evitar combinações menos felizes.
Além do sabor, há também a questão da temperatura de serviço. Sublinha o Clube do Vinho Pingo Doce que servir vinhos brancos e rosés demasiado frios pode reduzir a perceção dos aromas, enquanto tintos leves servidos mornos podem parecer pesados. Ajustar a temperatura é tão importante quanto escolher a garrafa certa, garantindo que cada gole complementa e valoriza a refeição.
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