Um dos chefs mais reconhecidos a nível mundial revelou qual é o peixe que mais gosta de cozinhar e comer. A escolha foge completamente às espécies mais habituais nas cozinhas portuguesas e espanholas e traz consigo uma mensagem de sustentabilidade.
Nas bancas de peixe, há sempre espécies que atraem a atenção de chefs e clientes. Entre salmão, dourada, ou robalo, os olhos recaem quase sempre nos mais populares. Mas José Andrés, conhecido chef espanhol radicado nos Estados Unidos, decidiu destacar uma opção muito menos convencional.
O cozinheiro, que também é fundador da organização humanitária World Central Kitchen, não esconde o entusiasmo por um peixe que muitos conhecem apenas dos aquários. No entanto, garante que é uma iguaria rara e absolutamente deliciosa.
Uma escolha inesperada
Segundo o jornal espanhol El Español, José Andrés revelou em entrevista e na sua newsletter que o seu peixe favorito é o peixe-leão. Com cores chamativas e espinhas venenosas, este predador invasor do Caribe é visto como uma ameaça aos ecossistemas marinhos. Para o chef, porém, é também uma oportunidade.
“Embora a sua aparência seja intimidante, a experiência de o degustar é completamente diferente”, explicou. Segundo ele, a carne branca, em lascas, lembra o bacalhau ou até o mahi mahi, mas com um sabor único.
Uma ameaça para os recifes
O entusiasmo de José Andrés não se limita a cozinhar este peixe. O peixe-leão, originário do Pacífico, tornou-se invasor nas águas quentes do Caribe e ameaça destruir recifes de coral. Estudos indicam que pode reduzir em até 90% a população de peixes jovens de recife em poucas semanas.
Perante este cenário, o chef defende que o consumo desta espécie pode ser parte da solução. “Quanto mais se pescar e cozinhar, mais se ajuda os ecossistemas e as comunidades piscatórias”, argumenta.
Benefícios para a saúde
Além do impacto ambiental positivo, o peixe-leão tem um perfil nutricional invejável. É rico em ácidos gordos ómega-3, em quantidades superiores às do pargo ou do atum. Estes nutrientes são fundamentais para a saúde cardiovascular, reforçam o sistema imunitário e podem contribuir para reduzir inflamações.
José Andrés destaca ainda que se trata de um peixe magro, com poucas calorias, o que o torna uma boa opção para quem procura uma dieta equilibrada sem perder sabor.
Versatilidade na cozinha
Na hora de o preparar, o chef espanhol prefere cozinhar o peixe-leão de forma simples, para não mascarar o seu sabor. Pode ser grelhado, assado no forno ou confecionado em filetes. A carne solta-se em lascas e adapta-se tanto a pratos sofisticados como a receitas mais caseiras.
A técnica da crosta de sal, por exemplo, também é possível, mas José Andrés recomenda atenção ao consumo excessivo de sal, sobretudo em pessoas com hipertensão. Alternativamente, sugere o uso de especiarias ou óleos aromatizados.
Mais do que gastronomia
Para o chef, esta escolha não é apenas uma questão de paladar. Trata-se também de sensibilizar para a necessidade de equilíbrio entre tradição e sustentabilidade. “Comer peixe-leão não é só desfrutar de um prato delicioso. É também contribuir para proteger os oceanos”, sublinha.
A mensagem vai ao encontro da filosofia que José Andrés tem promovido ao longo da sua carreira, em que a gastronomia serve como ferramenta de transformação social e ambiental.
Entre Portugal e o mundo
Embora o peixe-leão não seja comum nas águas portuguesas, a história não deixa de ter interesse para os consumidores nacionais. Portugal é um dos maiores países consumidores de peixe per capita na Europa, e as escolhas alimentares têm impacto direto na preservação das espécies marinhas.
Assim, o exemplo de José Andrés pode inspirar uma reflexão mais alargada sobre o papel da gastronomia no equilíbrio dos ecossistemas, mesmo em espécies que não fazem parte do cardápio tradicional português.
Uma iguaria com mensagem
Citado pelo El Español, José Andrés resume a sua paixão de forma clara: “É absolutamente delicioso”. Mas a sua insistência em falar do peixe-leão vai muito além do prazer da mesa. É também um alerta sobre a responsabilidade que todos temos na escolha dos alimentos e no impacto que essas escolhas têm no planeta.
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