O caso de uma funcionária da Mercadona em Espanha, com mais de três décadas de serviço, trouxe recentemente à luz pública um debate sobre disciplina laboral, confiança e aplicação das regras internas nas grandes empresas. O episódio, relacionado com práticas irregulares no momento de cobrar compras a clientes, acabou por escalar até ao Tribunal Superior de Justiça de Castilla-La Mancha.
Razão do despedimento
A trabalhadora, que integrava os quadros da empresa desde janeiro de 1989, foi surpreendida em maio de 2023 a cobrar apenas 11,89 euros por um carrinho cheio de produtos, quando o valor real era bastante superior. O caso não foi isolado, já que em pelo menos mais duas ocasiões repetiu o mesmo procedimento com o mesmo cliente, vizinho seu, de acordo com o portal espanhol Noticias Trabajo.
Investigação da empresa
Após detetar as irregularidades, a Mercadona abriu uma investigação interna. A conclusão foi que a trabalhadora tinha plena consciência de que estas práticas violavam as normas da empresa. O comportamento foi considerado uma quebra de confiança e uma violação dos princípios de boa-fé exigidos no local de trabalho.
O despedimento teve por base o acordo coletivo da empresa, que prevê a cessação do contrato por justa causa em situações graves, como fraude, abuso de confiança e incumprimento do Estatuto dos Trabalhadores. Para a Mercadona, estas ações comprometiam os valores e a integridade da organização.
Recurso da trabalhadora
Em resposta à decisão, a funcionária da Mercadona apresentou recurso, alegando que não teve oportunidade de se defender perante representantes sindicais e que o convénio coletivo tinha sido aplicado de forma incorreta.
No entanto, segundo a mesma fonte, o Tribunal Superior de Justiça rejeitou os argumentos e concluiu que a empresa atuou dentro dos limites legais e regulamentares. O despedimento foi, assim, considerado justificado, reforçando a postura da empresa espanhola em matéria de disciplina laboral.
Tolerância zero a práticas fraudulentas
A Mercadona mantém uma política de tolerância zero relativamente a comportamentos que possam ser considerados fraudulentos. Este caso é exemplo da aplicação prática dessas regras, demonstrando que desvios às normas internas podem resultar em consequências graves.
Esta decisão judicial serve ainda, segundo o Noticias Trabajo, de aviso a outros trabalhadores sobre a importância do cumprimento rigoroso das regras internas, bem como da relevância dos acordos coletivos e do Estatuto dos Trabalhadores na regulação das relações laborais.
Uma curiosidade sobre a Mercadona
Apesar da sua imagem associada ao setor alimentar, a Mercadona é também um dos maiores empregadores privados em Espanha, com mais de 100 mil trabalhadores.
Em Portugal, onde entrou em 2019, já emprega cerca de 6 mil pessoas, reforçando a sua presença sobretudo na região Norte.
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