As manifestações contra o turismo de massas em Palma de Maiorca estão a afastar milhares de visitantes estrangeiros, incluindo britânicos, alemães e italianos. Segundo operadores locais, algumas estâncias estão agora “completamente mortas” e há turistas que declaram abertamente que não voltarão à ilha. A situação está a preocupar o setor hoteleiro, os guias turísticos e os responsáveis pelos transportes, segundo aponta o jornal britânico Express.
Miguel Pérez-Marsá, presidente da associação local de vida nocturna, admitiu ao Majorca Daily Bulletin que os visitantes mais desejados estão a ser desencorajados pela hostilidade crescente: “Os turistas que nos interessam estão a ir embora; não se sentem bem-vindos e estão a escolher outros destinos”.
As críticas não partem apenas de espanhóis. Um residente britânico em Maiorca relatou à mesma publicação: “Durante anos considerei Puerto Soller como a minha casa espiritual… mas na última visita estava tão cheio de turistas que o encanto do lugar desapareceu. E, por alguma razão absurda, as touradas voltaram a Inca. Não me sinto capaz de regressar.”
Esta crescente insatisfação de alguns turistas tem levado à procura de alternativas. Um visitante estrangeiro citado na imprensa britânica afirmou: “Achei que Espanha não queria muitos turistas, por isso a minha família votou, fomos para Portugal e não voltamos a Espanha, isso deve agradar a todos.” Este tipo de testemunho revela uma mudança clara na perceção de quem habitualmente escolhia as ilhas Baleares para férias.
Quebra nas excursões e nas reservas
A preocupação estende-se aos guias turísticos. Pedro Oliver, presidente do Colégio de Guias de Turismo, confirmou uma quebra acentuada na procura: “As mensagens anti-turismo estão a ter impacto.” Estima-se que as vendas de excursões tenham caído cerca de 20% neste verão, afetando zonas populares como Valldemossa, Palma e Port Soller.
Oliver explica que a imagem negativa que circula no estrangeiro tem reflexo direto nas escolhas dos turistas: “Se geramos notícias negativas, que repercutem noutros países, os turistas optam por outros destinos nas férias. Estamos a transmitir a mensagem de que não queremos turistas e que está tudo demasiado cheio.”
A empresa Proguies Turístics, que normalmente organiza cerca de 30 excursões por cruzeiro, está agora a realizar apenas 12 a 14. O seu presidente, Biel Rosales, admite que o fenómeno da “turismofobia” está a ter impacto direto: “A ideia de que os turistas não são bem-vindos está a prejudicar-nos bastante.” E aponta outros fatores: preços elevados e congestionamentos também estão a afastar visitantes.
Prejuízos também nos transportes
O sector dos transportes em Maiorca não ficou indiferente à situação. Rafel Roig, presidente da federação de transportes da ilha, fez um apelo claro: “Não se podem lançar estas mensagens, porque as pessoas não vão para onde não se sentem desejadas.”
Esta tensão crescente entre residentes e turistas, visível nos protestos e em slogans anti-turismo espalhados pela cidade de Palma, levanta dúvidas sobre o futuro do modelo turístico na ilha. Embora os protestos visem sobretudo a saturação e o impacto ambiental do turismo de massas, os efeitos colaterais estão a atingir directamente o sector económico.
De acordo com o Express, para muitos britânicos, alemães e italianos, a ilha deixou de ser sinónimo de férias relaxantes. Há quem fale em substituí-la por destinos alternativos onde não sintam hostilidade por parte da população local. A confirmar-se esta tendência, o impacto no turismo balear poderá ser significativo.
Leia também: Este animal que estava ‘desaparecido’ há 500 anos voltou a Portugal e não é bem-vindo por este setor
















