O crescimento do turismo em certos destinos europeus tem gerado desafios inesperados, nomeadamente no setor da hotelaria. O aumento acentuado do número de visitantes está a criar dificuldades na contratação de trabalhadores para responder à elevada procura. Esta situação tem levado a soluções inovadoras, com destaque para a reintegração de reformados no mercado de trabalho nesta ilha do Mediterrâneo.
Falta de mão de obra no setor turístico
Com o crescimento do turismo a escassez de profissionais disponíveis para trabalhar em hotelaria tornou-se evidente em várias unidades hoteleiras no Chipre. Estima-se que cerca de 49.592 pessoas estejam atualmente empregadas diretamente no setor. No entanto, esse número tem-se revelado insuficiente para cobrir todas as necessidades.
As unidades hoteleiras deste destino turístico no Mediterrâneo enfrentam dificuldades na contratação de colaboradores com experiência e formação adequada. Esta situação está a afetar a capacidade de resposta dos estabelecimentos, sobretudo em períodos de maior afluência turística, de acordo com o Daily Express.
O presidente da associação de hoteleiros Pasyxe, Thanos Michaelides, abordou esta questão durante uma reunião recente. A falta de mão de obra qualificada foi apontada como uma das maiores preocupações da atualidade para o setor.
Reintegração de profissionais com mais experiência
Para responder a esta necessidade, a associação Pasyxe apresentou uma proposta que visa reintegrar reformados entre os 55 e os 65 anos no setor. Esta medida pretende aproveitar os conhecimentos e a experiência adquiridos ao longo das carreiras profissionais anteriores.
Os cargos a preencher pelos reformados situam-se sobretudo nas áreas de atendimento ao cliente e funções administrativas. Segundo a mesma fonte, estas tarefas são compatíveis com o perfil de quem já passou por outros contextos profissionais.
De acordo com Thanos Michaelides, “esta é uma forma prática de devolver qualidade ao setor e proporcionar uma segunda carreira a profissionais qualificados”.
Exemplo internacional
Esta proposta inspira-se numa medida semelhante implementada na Noruega durante um período de forte crescimento do turismo. A experiência norueguesa serviu de referência para o plano que se pretende agora aplicar no Chipre.
O objetivo é alargar a força de trabalho disponível sem comprometer os padrões de qualidade exigidos pela atividade turística. Ao mesmo tempo, oferece-se uma nova oportunidade a reformados que desejem continuar ativos no mercado.
A medida faz parte de uma estratégia mais ampla, com vista ao reforço da estabilidade do setor e à melhoria das condições laborais oferecidas, conforme refere a mesma fonte.
Novas propostas para alojamento
Outra medida anunciada por Pasyxe envolve a construção de novos alojamentos destinados a trabalhadores do setor. A proposta será submetida ao Ministério do Interior do Chipre, com o objetivo de obter autorizações para a construção dessas infraestruturas.
A criação de habitação específica para trabalhadores pretende facilitar o recrutamento de pessoal de outras regiões, evitando deslocações longas e promovendo maior estabilidade. De acordo com a fonte anteriormente mencionada, com esta iniciativa, pretende-se atrair mais profissionais para o setor e assegurar uma maior permanência nos postos de trabalho.
Impacto positivo no setor hoteleiro
Ao melhorar as condições oferecidas aos trabalhadores, espera-se uma repercussão positiva no funcionamento das unidades hoteleiras. Uma equipa estável e experiente poderá contribuir para um serviço mais eficiente e satisfatório para os visitantes.
A profissionalização dos serviços e a valorização dos colaboradores são vistas como passos fundamentais para o desenvolvimento sustentável do setor turístico no Chipre, conforme refere o Daily Express.
Esta proposta está a ser bem recebida entre vários agentes económicos, sendo considerada uma solução equilibrada para um problema crescente.
Turismo em crescimento e os seus efeitos
O crescimento do turismo em Chipre segue uma tendência observada em diversos países europeus. Este fenómeno tem levantado preocupações quanto ao impacto nas comunidades locais, nas infraestruturas e nos recursos disponíveis.
Em várias cidades e regiões, têm-se registado protestos contra o chamado “excesso de turismo”, com habitantes locais a manifestarem desconforto com a pressão causada pelos visitantes. As autoridades procuram assim encontrar formas de conciliar o desenvolvimento económico com a qualidade de vida das populações e a proteção dos recursos locais.
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