O sector da restauração em Maiorca atravessa uma das piores épocas de verão das últimas décadas, com previsões alarmantes: centenas de restaurantes poderão encerrar portas até ao final do ano, depois de mais de 370 terem fechado no ano passado, segundo o jornal Daily Express.
Apesar das praias cheias e das ruas movimentadas, os restaurantes da ilha espanhola estão a registar uma quebra significativa no número de clientes. O alerta foi dado por Juanmi Ferrer, presidente da associação Restauración Mallorca CAEB, que descreveu a atual temporada como a pior desde a pandemia, atribuindo a quebra sobretudo à mudança nos hábitos dos turistas.
Turistas mudam padrões de consumo
A associação indica que há cada vez mais turistas a evitar refeições em restaurantes, preferindo comprar comida em supermercados ou levar marmitas.
Com o aumento dos preços dos voos e do alojamento, muitos visitantes chegam com menos margem para gastar em restaurantes, reduzindo os consumos à mesa. De acordo com a mesma fonte, a despesa média por mesa terá caído entre 10 e 12 por cento.
Regiões turísticas com quebras até 40%
Juanmi Ferrer afirmou, citado pela mesma fonte, “a situação é difícil e estamos muito preocupados porque o mês de maio foi anormalmente fraco devido ao mau tempo e junho não trouxe a recuperação esperada. Já em julho, embora a atividade noturna tenha mostrado algum dinamismo, os almoços continuam vazios em várias zonas da ilha.”
Em localidades turísticas como Port de Sóller, Sant Elm e Port d’Alcúdia, o número de clientes chegou a cair 40%. Em Palma, na zona do Paseo Marítimo, a redução ronda os 20% face ao verão passado, conforme refere a fonte acima mencionada.
Segundo Ferrer, os restaurantes passaram de lotações esgotadas para ocupações abaixo dos 60%. “Os turistas continuam a vir, mas não estão a ir aos restaurantes, estão a comer sanduíches”, declarou.
Custos de operação disparam
Ao mesmo tempo que os clientes escasseiam, os custos para manter os estabelecimentos abertos continuam a aumentar. A restauração, segundo a mesma fonte, enfrenta um cenário de impostos mais elevados, subidas nos preços dos alimentos, rendas mais caras e salários acrescidos devido a um novo acordo coletivo de trabalho.
Só em 2023, encerraram 370 restaurantes em Maiorca. Para este ano, as previsões são ainda mais negativas. Segundo Ferrer, há já estabelecimentos a conceder férias aos funcionários em pleno mês de julho para reduzir prejuízos.
Clima de alarme entre os empresários
A Restauración Mallorca CAEB admite que “muitos negócios não conseguirão sobreviver” caso não haja uma mudança de rumo. A manter-se esta tendência, de acordo com o Daily Express, o impacto poderá ser duradouro e comprometer seriamente a oferta gastronómica da ilha, um dos seus principais atrativos turísticos.
Para muitos empresários locais, o verão de 2024 tornou-se um sinal de alarme. A esperança recai agora em agosto e num eventual reforço de apoio público ou medidas que incentivem os turistas a voltarem a sentar-se à mesa.
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