Mesmo em hotéis de luxo, há objetos e superfícies que acumulam germes devido à sua elevada rotação de hóspedes e aos tempos reduzidos para a limpeza diária. Elementos como almofadas decorativas, telefones e torneiras nem sempre recebem a atenção necessária. A constatação parte de funcionários de housekeeping e consultores de viagens habituados à realidade dos bastidores. A análise incide sobre os items com aos quais deve ter mais atencão ao entrar num quarto de hotel, publicada pela revista Travel + Leisure.
A responsável pelo departamento de housekeeping no Canne Bianche Lifestyle & Hotel, Enza Laterrenia, explicou que a maioria dos hotéis disponibiliza cerca de 30 minutos para limpar cada quarto, o que implica uma priorização de tarefas em detrimento de uma higienização profunda. Com isso, zonas de difícil acesso ou de uso não evidente acabam por ser ignoradas.
Almofadas e elementos decorativos não são lavados entre estadias
Entre os itens mais negligenciados no quarto de hotel estão as almofadas decorativas e os corredores de cama, muitas vezes posicionados apenas para fins estéticos. Segundo Maria Diego, consultora da Travel + Leisure e antiga funcionária hoteleira, esses elementos são os primeiros que retira ao chegar ao quarto, precisamente por raramente serem lavados. A mesma fonte refere que, por norma, estes itens não são incluídos na lavagem rotineira após o check-out dos hóspedes, ficando suscetíveis à acumulação de sujidade.
Superfícies com contacto frequente concentram mais germes
Os chamados pontos de contacto elevado, como comandos, interruptores de luz e telefones, são também áreas críticas. Rani Cheema, especialista em viagens, afirma sentir desconforto sempre que precisa de utilizar o telefone do quarto, considerando que a zona do auscultador onde se coloca a boca não é alvo de limpeza regular.
Por outro lado, as carpetes representam outro desafio para os serviços de limpeza. Conforme a especialista, estes materiais acumulam poeiras e bactérias, exigindo métodos de limpeza que muitas vezes não são compatíveis com os prazos operacionais. A tendência é que muitos hotéis de cinco estrelas optem atualmente por pavimentos de madeira ou tapetes removíveis, mais fáceis de higienizar.
Vidros, tetos e banheiras escondem riscos invisíveis
Alguns objetos e superfícies menos evidentes também ficam frequentemente fora do alcance das limpezas diárias. Ainda segundo Maria Diego, copos ou outros utensílios de bar guardados em armários e gavetas, que permanecem longos períodos sem uso, podem não ser devidamente verificados entre estadias. A mesma consultora refere ainda que só utiliza banheiras em hotéis de luxo e apenas se estas não tiverem jatos, pelo risco acrescido de contaminação.
Enza Laterrenia aponta como pontos sistematicamente esquecidos os elementos em altura, como candeeiros de teto, ventoinhas, calhas de cortinas e chuveiros. Estes espaços, ainda que menos utilizados, acumulam poeiras e humidade, representando um potencial risco sanitário.
Atenção aos detalhes antes de usar o quarto
A recomendação dos especialistas é clara: à chegada ao quarto, retirar imediatamente almofadas decorativas e corredores da cama, limpar manualmente os principais pontos de contacto e evitar o uso de objetos cuja limpeza não seja garantida, como copos guardados ou banheiras com jatos.
Segundo a Travel + Leisure, pequenas precauções como estas podem minimizar a exposição a germes acumulados e compensar as limitações impostas aos serviços de limpeza dos hotéis, independentemente da sua classificação.
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