Quando chegam as primeiras vagas de calor, o desconforto das temperaturas elevadas vem muitas vezes acompanhado por um problema menos visível, mas igualmente perturbador. O aumento de determinadas substâncias no ar transforma um gesto tão comum como estender roupa no exterior numa possível fonte de reações alérgicas para milhares de portugueses.
Temperaturas a subir, pólen a circular
Em várias regiões de Portugal, como o Alentejo, o Ribatejo e o interior do Algarve, os termómetros têm ultrapassado os 35 °C mesmo antes da chegada oficial do verão. Este calor extremo, que se tem tornado cada vez mais frequente, potencia a libertação de grandes quantidades de pólen por parte de plantas como gramíneas e oliveiras.
Durante os dias de maior calor, especialmente entre abril e julho, as concentrações de pólen na atmosfera atingem níveis considerados muito elevados, segundo os dados da Rede Portuguesa de Aerobiologia, citada pela Executive Digest. É precisamente nesses períodos que os sintomas alérgicos tendem a intensificar-se, tanto em espaços exteriores como dentro das próprias habitações.
Apesar de muitos já estarem habituados a manter portas e janelas fechadas para evitar o contacto com partículas no ar, há ainda práticas quotidianas que continuam a ser desvalorizadas no impacto que têm sobre a saúde respiratória.
Roupa lavada, mas com pólen ‘agarrado‘
Estender roupa ao ar livre durante os dias com níveis elevados de pólen pode agravar significativamente os sintomas de quem sofre de rinite, conjuntivite alérgica ou asma. Tecidos como o algodão, o linho e as toalhas são especialmente propensos a reter partículas de pólen durante a secagem.
De acordo com Nigel Bearman, especialista em limpeza doméstica e fundador da empresa britânica Daily Poppins, citado pela mesma fonte, estes tecidos funcionam como verdadeiras esponjas quando estão húmidos, captando os grãos de pólen que circulam no ar e mantendo-os agarrados mesmo após a roupa estar seca.
Quando recolhidas, essas peças entram em contacto com a pele, com o rosto e até com as superfícies onde as pessoas dormem, como lençóis e fronhas. O resultado pode ser uma continuação dos sintomas alérgicos, mesmo dentro de casa.
Alertas que se repetem a cada verão
O alerta sobre este fenómeno não é novo. Nigel Bearman sublinha que o hábito de secar roupa no exterior deve ser evitado em dias com elevada concentração de pólen. Segundo o mesmo, este é um dos principais erros cometidos por quem sofre de alergias sazonais.
De acordo com Bearman, “estender roupa, lençóis ou toalhas no exterior em dias com muito pólen é receita certa para olhos a arder e nariz entupido”. Este tipo de contacto contínuo com o pólen acaba por prolongar as crises mesmo nos momentos de descanso. O impacto deste hábito diário pode ser sentido por várias horas ou até dias, dependendo da sensibilidade de cada pessoa e da intensidade da exposição ao pólen presente nas fibras da roupa.
Soluções simples dentro de casa
A recomendação para evitar este problema passa por secar a roupa dentro de casa, sobretudo em dias em que os níveis de pólen são considerados elevados. Idealmente, a secagem deve ser feita perto de uma janela aberta ou em espaços bem ventilados.
Para quem tem limitações de espaço, um estendal dobrável colocado numa divisão arejada pode ser suficiente para evitar o contacto direto com o pólen suspenso no exterior. Esta medida simples ajuda a reduzir a presença de alergénios em casa.
Estes cuidados devem ser reforçados em dias em que os serviços de meteorologia e aerobiologia emitem alertas para concentrações muito elevadas de pólen, em especial durante as manhãs e ao final da tarde.
Sinais de alarme cada vez mais comuns
Com a intensificação das vagas de calor, têm-se multiplicado os relatos de sintomas alérgicos por parte da população. Espirros sucessivos, olhos vermelhos, comichão e sensação de congestão nasal são algumas das queixas mais frequentes, refere a mesma fonte.
Nas redes sociais, muitos portugueses partilham relatos de desconforto associado ao aumento dos níveis de pólen. Há quem diga que nunca teve problemas de alergias e, ainda assim, apresenta sintomas fortes durante os meses de maior calor.
Estas situações refletem o impacto crescente das alterações climáticas na saúde respiratória, especialmente em períodos de calor extremo, quando as plantas libertam maiores quantidades de pólen no ar, de acordo com a Executive Digest.
Prevenção continua a ser essencial
As autoridades de saúde e entidades como a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica têm alertado para a importância de adotar medidas preventivas em períodos críticos.
Entre as recomendações destacam-se o acompanhamento das previsões de pólen, a utilização de óculos de sol no exterior, a ventilação controlada das casas e, sobretudo, a secagem da roupa no interior em dias de maior risco. Evitar a acumulação de pólen na roupa lavada é um gesto simples que pode reduzir significativamente o desconforto sentido por pessoas com alergias, contribuindo para uma melhor qualidade de vida dentro de casa.
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