O litoral cantábrico, em Espanha, esconde locais que vivem duas realidades distintas ao longo do ano. No inverno reinam a tranquilidade e o ritmo lento de uma vila piscatória. No verão, tudo muda. Um pequeno município, conhecido pelo seu extenso areal e localização privilegiada, vê a sua população multiplicar-se dezenas de vezes em apenas algumas semanas, transformando-se num destino turístico de referência.
De acordo com o jornal espanhol El Mundo, Noja, na Cantábria, passa de 2.686 habitantes em janeiro para picos de 100 mil no auge do verão. É, segundo a publicação, o município espanhol que mais multiplica a população sazonalmente, graças aos seus oito quilómetros de praias e à proximidade de cidades, como Santander e Bilbao (Noja fica a uma hora de carro desde o Aeroporto de Bilbau). No verão há 37 vezes mais pessoas em Noja do que no inverno.
A diferença é tão acentuada que a própria autarquia assume a dificuldade de prever o fluxo de visitantes, dependendo quase sempre das condições meteorológicas.
A “Benidorm do norte”
Segundo a mesma fonte, quase metade das habitações são segundas residências, usadas sobretudo por turistas vindos do País Basco. A ocupação do destino não funciona como num hotel, onde as reservas não se podem anular.
Aqui, quem tem casa própria decide de acordo com o tempo: se o céu ameaça chuva, muitos optam por não viajar. Esta imprevisibilidade faz com que em alguns fins de semana faltem serviços básicos, enquanto noutros o município pareça quase vazio.
Os testemunhos recolhidos pelo jornal mostram como o turismo moldou a identidade local. José, bilbaíno com casa herdada dos pais, prefere visitar fora da época alta para evitar filas em restaurantes ou supermercados. Já Ana e Emilio, também do País Basco, descrevem o verão como uma época de “desbordamento total”, onde praias, padarias e lojas atingem a lotação máxima.
A evolução de um destino
Conforme a publicação, Noja era até aos anos 60 uma vila dedicada à agricultura, pesca e pecuária. O turismo chegou com o desenvolvimento do município, primeiro com alugueres de casas, depois com pequenos hotéis, campings e, finalmente, urbanizações de apartamentos no final dos anos 90.
Hoje, o Camping Playa de Joyel acolhe até 5.000 pessoas e famílias inteiras repetem o mesmo ritual todos os verões, criando verdadeiras comunidades sazonais.
Mudanças como consequência da pandemia
Escreve ainda o El Mundo que a pandemia deu um novo impulso ao destino, atraindo teletrabalhadores e famílias que procuravam um refúgio climático. A autarquia, liderada por Mireia Maza, aposta agora em contrariar a sazonalidade do turismo, promovendo eventos culturais, infraestruturas desportivas e até iniciativas natalícias.
Mesmo com os novos projetos, o futuro de Noja continua dependente de um fator inevitável: o tempo. Quando o sol brilha, a “Benidorm do norte” enche-se de vida. E basta uma semana cinzenta para voltar a ser a pacata vila piscatória que muitos ainda recordam.
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