A maioria das refeições prontas é reaquecida no microondas, mas alguns alimentos podem tornar-se perigosos quando expostos novamente a este tipo de aquecimento. Há categorias específicas de alimentos que devem ser consumidas com precaução, sobretudo após terem sido conservadas durante largas horas à temperatura ambiente.
Segundo o jornal inglês The Independent, que cita o European Food Information Council e a Food Standards Agency, o principal risco resulta do facto de o microondas não aquecer a comida de forma uniforme, deixando algumas zonas a temperaturas insuficientes para destruir determinados microrganismos.
Perigos associados à carne de frango
Escreve o jornal que o frango deve ser evitado quando se trata de voltar a aquecer no microondas. Acrescenta a publicação que as proteínas presentes nesta carne são especialmente sensíveis à exposição prolongada a temperaturas irregulares, o que pode provocar alterações no organismo e causar dores de estômago. A melhor forma de reduzir o risco é virar a carne regularmente durante o aquecimento, garantindo que todas as partes atingem temperaturas adequadas.
O risco aumenta ainda mais quando o frango não é devidamente guardado no frigorífico, já que determinadas bactérias multiplicam-se rapidamente à temperatura ambiente e não são destruídas pelo aquecimento parcial do aparelho.
Arroz e batatas: conservação antes de aquecer
Conforme a mesma fonte, o arroz deve ser guardado no frigorífico logo após a confeção, uma vez que os esporos que permanecem no grão podem multiplicar-se quando este é deixado à temperatura ambiente. Escreve o jornal que voltar a aquecer o arroz no microondas, mesmo durante vários minutos, não elimina todos os microrganismos e pode provocar intoxicação alimentar.
O mesmo raciocínio aplica-se às batatas. Se estas forem deixadas arrefecer ao ar livre e não forem refrigeradas, podem desenvolver a bactéria Clostridium botulinum, que não é eliminada com o reaquecimento. Refere o The Independent que envolver este alimento em papel de alumínio pode agravar o risco.
Cogumelos e alteração das proteínas
De acordo com o European Food Information Council, os cogumelos contêm proteínas que se degradam rapidamente quando o alimento é exposto a temperaturas inadequadas. O reaquecimento acima dos 70 graus pode provocar alterações na estrutura das proteínas, o que aumenta a probabilidade de problemas gastrointestinais.
Explica o jornal que estes efeitos podem ser evitados se os cogumelos forem guardados no frigorífico e consumidos até 24 horas após a confeção, preferencialmente sem recorrer ao micro-ondas.
Vegetais de folha com elevado teor de nitratos
Por último, o reaquecimento de espinafres e outros vegetais de folha, como agriões, rúcula ou couve, está desaconselhado. Estes alimentos possuem níveis elevados de nitrato que, quando expostos a uma segunda fase de aquecimento, se transformam em nitritos, podendo originar compostos denominados nitrosaminas.
Escreve o jornal que, embora os nitratos sejam inofensivos no estado original, as nitrosaminas podem afetar a capacidade do sangue de transportar oxigénio, o que representa um risco acrescido para crianças pequenas, podendo resultar na chamada síndrome do bebé azul.
Cuidados indispensáveis para evitar riscos
Note que o consumo seguro de refeições reaquecidas depende sobretudo da forma como os alimentos são conservados após a confeção. Guardar os alimentos no frigorífico até duas horas depois de cozinhados e aquecer pequenas porções de cada vez pode reduzir significativamente o risco de intoxicação. Para além disso, mexer a comida a meio do aquecimento é uma das formas mais simples de garantir uma distribuição uniforme do calor.
Finalmente, segundo o The Independent, é recomendável evitar o reaquecimento repetido do mesmo alimento e consumir as sobras num prazo máximo de 24 horas, mantendo sempre uma temperatura de conservação adequada até ao momento do consumo.
Leia também: Esta será a nova idade da reforma em Portugal e há mais penalizações a caminho
















