Foi divulgado em Chicago, no passado mês de maio, o relatório “Global State of Health & Wellness 2025” pela NielsenIQ, que analisa as atitudes e comportamentos de consumidores em 19 países face ao bem-estar. O estudo, com foco nos temas da nutrição, saúde mental, tecnologia, medicação e consumo consciente, demonstra que as escolhas ligadas à saúde estão a tornar-se cada vez mais parte integrante do estilo de vida das populações.
De acordo com a NielsenIQ, 70% dos consumidores consideram-se proativos na gestão da sua saúde, sendo que 57% valorizam mais o envelhecimento saudável do que há cinco anos. Estes dados refletem-se diretamente nos hábitos de consumo: 55% estão dispostos a gastar mais de 100 dólares por mês em nutrição, autocuidado e saúde física e mental. No entanto, 82% exigem maior transparência nos rótulos e 25% admitem que a falta de confiança na eficácia dos produtos os impede de fazer escolhas mais saudáveis.
Tecnologia ao serviço da saúde e bem-estar
A tecnologia ocupa um lugar central nesta mudança de paradigma. Quase três quartos dos inquiridos (74%) preferem produtos tecnológicos com funcionalidades de saúde e bem-estar, e 63% acreditam na sua eficácia. Além disso, 57% usariam aplicações ou dispositivos de rastreio para garantir que os produtos que consomem estão alinhados com os seus objetivos de saúde.
A mesma fonte indica ainda que o interesse pela saúde intestinal está a influenciar diretamente as escolhas alimentares.
Em 2025, mais de metade dos consumidores planeia comprar alimentos ricos em fibra, e cerca de 40% procura incorporar mais superalimentos, alimentos vegetais ricos em proteína e probióticos na sua alimentação.
Medicamentos para perda de peso geram interesse, mas falta informação
O relatório aponta também para uma crescente preocupação com o controlo de peso e forma física. Atualmente, 54% dos consumidores atribuem mais importância a um peso saudável, tonicidade e massa muscular do que há cinco anos.
Neste contexto, 43% afirmam que considerariam tomar medicamentos antiobesidade se recomendados por um profissional de saúde. Ainda assim, 63% não estão familiarizados com estas opções terapêuticas.
Relação entre bem-estar individual e responsabilidade social
O consumo consciente está igualmente em crescimento. Segundo a mesma fonte, 70% consideram importante que os produtos de saúde e bem-estar sejam sustentáveis ou produzidos de forma ética, e 71% estão dispostos a pagar mais por essas características.
O relatório salienta que os consumidores estão a integrar preocupações sociais e ambientais nas suas decisões de compra, cruzando bem-estar pessoal com valores coletivos.
Sono, saúde mental e autocuidado no topo das prioridades
A procura por qualidade de vida manifesta-se também na valorização de práticas de bem-estar mental e emocional. Cerca de 63% dos participantes dizem dar mais atenção ao sono e à saúde mental do que há cinco anos. Atividades como contacto com a natureza, massagens, meditação e aromaterapia ganham expressão como formas de cuidado pessoal.
Desafios e oportunidades para marcas e retalhistas
A NielsenIQ refere que, para acompanhar este movimento, as marcas precisam de ir além da inovação de produto, apostando na clareza da comunicação, acessibilidade económica e confiança.
O relatório conclui que o crescimento da despesa em saúde e bem-estar está diretamente ligado à exigência por produtos com valor ético, utilidade comprovada e comunicação acessível. A capacidade de responder a esta nova exigência será determinante para o sucesso das empresas no mercado global.
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