Os recentes avistamentos de dragões azuis (“Glaucus atlanticus”) em várias zonas costeiras de Espanha estão a gerar preocupação entre banhistas e autoridades. Apesar do seu aspeto exótico e chamativo, trata-se de um animal marinho com propriedades venenosas, e o contacto direto com esta espécie pode apresentar riscos para os seres humanos.
De acordo com o jornal espanhol 20minutos, estes pequenos moluscos, também conhecidos como babosas-do-mar, medem entre 3 e 4 centímetros e têm um tom azul-metálico que os torna facilmente reconhecíveis. Vivem normalmente em mar aberto, sendo pouco comuns junto à costa. O aumento da temperatura e as correntes marinhas terão contribuído para a sua aproximação ao litoral.
Veneno adquirido através da caravela-portuguesa
O perigo desta espécie não reside na produção própria de toxinas, mas sim na sua capacidade de absorver os nematocistos das presas que consomem. Em particular, o dragão azul alimenta-se da temida caravela-portuguesa (“Physalia physalis”), um cnidário cujos tentáculos são altamente urticantes.
Após consumir a caravela, o dragão é capaz de incorporar as células urticantes no seu próprio corpo, armazenando-as nos apêndices que se assemelham a asas. O resultado é uma concentração de toxinas que pode, segundo especialistas, ser ainda superior à do animal original.

Poucos casos, mas recomenda-se precaução
Embora os registos científicos sobre incidentes com dragões azuis sejam escassos, a presença destes nematocistos exige cautela. O contacto com o animal, mesmo morto, pode provocar reacções dolorosas e sintomas semelhantes aos provocados pelas caravelas: ardor, vermelhidão, febre e, em casos extremos, choques de natureza alérgica.
Um artigo publicado na revista Ecology confirma a existência desta capacidade de incorporação de veneno e reforça a necessidade de manter distância. Casos de intoxicação humana são raros, mas os riscos associados justificam a intervenção das autoridades sempre que um exemplar é detetado em zonas balneares.
O que fazer em caso de avistamento ou contacto
A recomendação é clara: nunca tocar, mesmo que o animal pareça inativo ou morto. Sempre que avistado, deve ser reportado aos nadadores-salvadores ou autoridades locais, que saberão como proceder em segurança.
De acordo com o 20minutos, em situação de contacto acidental, é fundamental procurar assistência médica, sobretudo se surgir dor intensa, ardor ou sinais de reação alérgica. Tal como sucede com outros cnidários, os nematocistos podem manter-se ativos mesmo após a morte do animal.
Para breve em Portugal?
A probabilidade de encontrar um “dragão‑azul” numa praia portuguesa é muito baixa, mas sobe ligeiramente após ventos fortes ou correntes de superfície que empurrem organismos do largo para terra. Dados do projecto GelAvista e do Instituto do Mar dos Açores mostram que, em duas décadas, houve apenas alguns registos isolados desta espécie no Algarve e nos Açores, maioritariamente após tempestades de verão.
Em números práticos, biólogos estimam menos de 1 % de hipótese de um veraneante se deparar com este nudibrânquio durante toda a época balnear. Ainda assim, o conselho mantém‑se: não tocar, reportar ao nadador‑salvador e manter distância, pois os nematocistos continuam activos mesmo em exemplares mortos.
Apesar da raridade destes avistamentos, o seu carácter exótico pode despertar curiosidade e levar ao erro de aproximação. A informação e prevenção continuam a ser as melhores ferramentas para evitar complicações nas praias neste verão.
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