De diferentes regiões chegam relatos de preservação da vida selvagem que despertam interesse a nível internacional. Uma das mais significativas chega da Argentina, onde a lontra-gigante (Pteronura brasiliensis), regressou a um habitat do qual estava ausente há mais de quatro décadas. Este animal imponente voltou a habitar o Parque Nacional de Iberá, na província de Corrientes, segundo o jornal digital Okdiario. Para uma região onde o ecoturismo tem vindo a crescer, a presença desta espécie pode ser um fator de atratividade adicional.
A lontra-gigante pode atingir 1,80 metros de comprimento e pesar cerca de 33 quilos. Longe de se tratar de um animal dócil, é um predador ágil e robusto, cuja dieta se baseia quase exclusivamente em peixe, desempenhando um papel vital no equilíbrio dos ecossistemas aquáticos.
Reintrodução a nível mundial
O regresso da espécie foi possível graças ao trabalho da organização Rewilding Argentina, que libertou recentemente uma família de quatro exemplares no Grande Parque Iberá. Esta é a primeira vez, a nível global, que o animal é reintroduzido num habitat de onde tinha desaparecido.
A família é composta por Nima, uma fêmea proveniente do Jardim Zoológico de Madrid, Coco, um macho oriundo da Dinamarca, e duas crias nascidas no parque em novembro de 2024. De acordo com Sebastián Di Martino, diretor de conservação da Rewilding Argentina, “a lontra-gigante é o principal predador aquático destes humedais e a sua dieta, quase totalmente composta por peixes, contribui de forma significativa para manter os ecossistemas saudáveis”.
Um trabalho iniciado em 2017
O processo de reintrodução começou a ser preparado em 2017 e envolveu múltiplas etapas: desde a seleção de pares reprodutores à adaptação ao ambiente natural. De acordo com a fonte acima citada, os animais foram treinados com peixes vivos para desenvolverem as suas capacidades de caça e passaram por recintos de quarentena especialmente concebidos.
Após a libertação, foi implementado um sistema de monitorização com arneses feitos à medida, permitindo acompanhar os deslocamentos e o comportamento da família no novo habitat.
Potencial turístico e impacto económico
O governador de Corrientes, Gustavo Valdés, sublinhou que este acontecimento não é apenas relevante para a conservação, mas também para a economia local. “O regresso desta espécie não só ocupa o lugar que lhe pertence no ecossistema aquático, como atrairá mais turistas desejosos de observá-la, gerando mais trabalho e desenvolvimento para os correntinos”, afirmou, citado pelo jornal digital Okdiario.
Kristine Tompkins, presidente da Tompkins Conservation, também destacou o simbolismo da reintrodução: “Perante a crise de extinção massiva que o planeta enfrenta, a nossa tarefa mais urgente é ajudar a natureza a regenerar-se”.
Um modelo para a conservação
O Parque Iberá consolidou-se como um exemplo de referência mundial na reintrodução de fauna. A continuidade destes projetos dependerá do equilíbrio entre conservação e turismo sustentável, garantindo que a observação da vida selvagem não prejudique os próprios animais que se procura proteger.
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