O rio Guadalquivir, em Sevilha, tornou-se palco de capturas sucessivas de siluro, um peixe de grandes dimensões que está entre as espécies invasoras mais preocupantes da Europa e que ameaça o equilíbrio ecológico, segundo o jornal espanhol Diario de Sevilla. Mas este predador já não é apenas um problema em Espanha: também chegou a Portugal, onde autoridades e investigadores alertam para o impacto nos rios nacionais.
A cidade de Sevilha ficou no centro das atenções depois de vários pescadores partilharem nas redes sociais imagens de dezenas de exemplares de siluro capturados na dársena do Guadalquivir. Um dos relatos mais comentados foi publicado no TikTok, onde o utilizador @mauro_pescas mostrou um vídeo de um exemplar desta espécie.
Outros pescadores confirmaram o fenómeno, indicando pontos concretos como a zona do Puente de las Delicias, identificada como foco de proliferação desta espécie. Os relatos multiplicaram as preocupações entre a comunidade piscatória e ambiental espanhola.
O siluro (Silurus glanis) foi avistado pela primeira vez na província de Sevilha em 2021, em Alcalá del Río, e desde então a sua presença tem aumentado. A expansão ameaça áreas sensíveis como o Parque Nacional de Doñana, onde decorrem programas de recuperação de aves em risco, como a cerceta-pardilha.
Um predador sem rival
Originário da Europa Central e de Leste, o siluro é considerado um dos peixes mais destrutivos das águas interiores. Pode ultrapassar os dois metros de comprimento e pesar mais de 100 quilos.
A sua dieta é vasta: consome peixes autóctones, anfíbios, aves e até pequenos mamíferos. Em Espanha, há registo de episódios insólitos, como a captura de siluros com restos de aves aquáticas no estômago e até relatos de ataques a cães junto a cursos de água.
Com o corpo alongado, sem escamas, revestido por uma camada viscosa e longos barbilhões, ganhou a alcunha de “peixe-gato gigante”. A sua agressividade, aliada à rápida capacidade de adaptação, tem destruído populações de espécies nativas em rios como o Ebro e o Tejo, segundo o Diario de Sevilla.
A situação em Portugal
Portugal também já enfrenta este desafio. O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) inclui o siluro na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras, que proíbe a sua libertação no meio natural.
Investigadores do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (Universidade de Lisboa) confirmaram a presença do siluro no rio Tejo e alertaram para o seu “elevado potencial invasor”, devido ao longo período reprodutivo. Já em 2023, um estudo publicado na revista científica Limnética registou a expansão da espécie até ao Douro, levantando preocupações sobre o impacto no ecossistema deste rio.
Os especialistas portugueses sublinham que a introdução deste peixe compromete espécies migradoras e emblemáticas como o sável e a lampreia-marinha, para além de afetar o equilíbrio alimentar de todo o sistema fluvial.
Medidas de controlo
Em Espanha, o siluro está inscrito no Catálogo de Espécies Exóticas Invasoras, o que obriga à sua captura sem possibilidade de devolução. As autoridades encorajam mesmo a pesca como forma de controlo.
Em Portugal, a legislação segue a mesma linha: todos os exemplares devem ser abatidos e nunca devolvidos ao rio. A fiscalização é feita pelo ICNF e pela Guarda Nacional Republicana (SEPNA), numa tentativa de travar a expansão desta espécie que já deu provas de ser praticamente impossível de erradicar quando instalada num curso de água.
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