Entre os peixes mais curiosos do mundo, há uma espécie capaz de viver tanto na água como em terra firme. Trata-se de um verdadeiro sobrevivente que desafia a ideia tradicional de que estes animais só pertencem ao meio aquático, conseguindo sobreviver como um ‘peixe fora de água’.
Um anfíbio entre os peixes
O peixe mudskipper, conhecido em Portugal como peixe-da-lama, é conhecido pela sua incrível capacidade de prosperar em dois ambientes distintos. Habita zonas de mangais e planícies de maré, locais onde a água e a lama se encontram, de acordo com a revista especializada em ciência National Geographic.
Graças às suas barbatanas peitorais fortes, este peixe consegue “andar” sobre superfícies enlameadas, deslocando-se de forma invulgar para um animal marinho.
Peixe com respiração também fora de água
Ao contrário da maioria das espécies, o peixe-da-lama pode respirar através da pele e do revestimento da boca e da garganta, refere a mesma fonte. Esta adaptação permite-lhe sobreviver fora de água durante longos períodos, uma característica essencial para a vida em áreas onde a maré está sempre a mudar.
Olhos salientes e comportamento peculiar
Com os seus olhos salientes e movimentos quase ‘brincalhões’, o peixe-da-lama é facilmente reconhecível. A sua aparência invulgar chama a atenção, mas é o seu modo de vida que mais surpreende os investigadores.
Estes peixes constroem tocas na lama, que funcionam como abrigo e também como local de reprodução, refere a fonte anteriormente citada.
Um exemplo de adaptação extrema
A forma como o peixe-da-lama se adaptou a um habitat tão exigente faz do mesmo um dos peixes mais fascinantes para a ciência. A sua vida entre dois mundos, aquático e terrestre, mostra até onde pode ir a evolução para garantir a sobrevivência.
Ritual de acasalamento
Nas zonas intertidais tropicais, os peixes-da-lama protagonizam um dos rituais de acasalamento mais invulgares do mundo marinho. Durante a época reprodutiva, o macho exibe-se de forma exuberante, agitando as barbatanas e saltando no ar para impressionar a fêmea, que o segue até uma câmara-ninho escavada na lama.
O ninho, construído pelo macho, possui uma bolsa de ar no teto abobadado, onde a fêmea deposita os ovos. Após a fertilização, ela abandona o local e o macho assume sozinho os cuidados parentais. Para manter o oxigénio necessário, sobe repetidamente à superfície, engole ar e transporta-o de volta para a câmara.
Segundo a investigadora Karen L. M. Martin, citada pela National Geographic, um macho pode realizar “aproximadamente 100 ‘bocas cheias’” de ar para criar as condições adequadas à incubação. Este processo exige vigilância constante das marés e do momento certo para libertar a bolha. Quando a água entra e os ovos eclodem, os alevinos abandonam a câmara e seguem o seu caminho. Neste ciclo, o macho revela-se um verdadeiro “pai carinhoso”, como descreve Martin, assegurando a sobrevivência da nova geração.
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