Em várias regiões da Europa, espécies que desapareceram há décadas estão a ser alvo de programas de conservação que procuram trazê-las de volta ao habitat natural. O quebra-ossos, uma das aves mais imponentes do continente e considerado um animal extinto em Portugal, pode estar a caminho de regressar. A forte possibilidade do seu regresso é apontada por especialistas e ecoa em vídeos recentes partilhados nas redes sociais, num momento em que França e Espanha reforçam os programas de reintrodução desta espécie rara.
Uma rapina ameaçada no continente
O quebra-ossos (Gypaetus barbatus) é um abutre de grandes dimensões que praticamente desapareceu da Península Ibérica devido à perseguição humana, à redução dos herbívoros selvagens e às mudanças nas práticas agrícolas. Hoje, estima-se que existam pouco mais de 200 casais em toda a Europa, 130 deles em Espanha, segundo a revista de Natureza Wilder.
Em Portugal, o animal está considerado extinto. No entanto, há cada vez mais registos de exemplares em voo nas regiões de fronteira e, segundo o biólogo @turtle_dex, que tem vindo a documentar o tema nas redes sociais, há uma forte possibilidade de voltar a habitar território nacional.
França lidera a reintrodução
Desde a década de 1980, França tem desempenhado um papel central na recuperação da espécie. Mais de 420 quebra-ossos já foram reintroduzidos nos Alpes, no Maciço Central e nos Pirenéus, locais onde resistiam alguns indivíduos até ao final dos anos 1960.
O actual esforço é liderado pelo projecto LIFE Gyp’Act (2022-2028), que procura consolidar populações selvagens em França e reforçar o equilíbrio ecológico das montanhas europeias, de acordo com fonte acima citada.
Temporada marcada por dificuldades
Este ano, apenas cinco aves foram libertadas em França, um número inferior ao habitual. Três jovens foram soltos na região de Aveyron entre 27 de maio e 10 de junho, e outros dois em Drôme a 12 de junho.
Segundo a Liga Francesa para a Proteção das Aves, citada pela mesma fonte, 2025 foi marcado por uma época de reprodução em cativeiro “complicada”, com taxas elevadas de infertilidade. Cerca de 40% dos ovos produzidos em toda a rede europeia revelaram-se inférteis, um problema que afetou até os centros mais experientes.
A luta pela sobrevivência
Apesar das dificuldades, cada libertação representa um passo crucial. França conta ainda com menos de 100 casais reprodutores estáveis, o que mantém a população extremamente vulnerável.
Além das limitações da reprodução, os quebra-ossos continuam expostos a ameaças como a caça furtiva, colisões com linhas eléctricas, o impacto dos parques eólicos e a pressão do turismo de montanha.
A história de um símbolo
Entre os exemplares reintroduzidos, destacou-se o macho conhecido como Rei del Causse, libertado em 2022. Esta ave percorreu milhares de quilómetros pela Europa, tendo sido encontrada esgotada na Alemanha e na Polónia, antes de regressar a França.
No entanto, a sua morte precoce em Janeiro de 2025 evidenciou a fragilidade da espécie. Os dados do GPS revelaram uma paragem anormal e o corpo foi encontrado em Lozère, sem que fosse possível determinar a causa, conforme refere a Wilder.
O que esperar em Portugal?
A proximidade com Espanha, onde vive a maior parte da população europeia, e os recentes movimentos registados em zonas de fronteira aumentam a expetativa de que este animal extinto volte a cruzar regularmente os céus portugueses.
De acordo com os especialistas da Wilder e o biólogo @turtle_dex, se as populações espanholas e francesas se fortalecerem, o regresso a Portugal poderá deixar de ser apenas uma possibilidade para se tornar realidade.
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