As autoridades de saúde espanholas confirmaram a presença do vírus do Nilo Ocidental em mosquitos capturados numa zona residencial de Málaga, no sul de Espanha, um destino muito procurado por turistas britânicos. O caso levou à declaração oficial de alerta sanitário, que se prolongará, pelo menos, até ao início de novembro.
Alerta em Málaga, Cádiz e Sevilha
O vírus foi detetado no bairro de Tarajal, a cerca de dez quilómetros do centro de Málaga, após análises laboratoriais realizadas pelo Departamento de Saúde e Consumo da Andaluzia. Casos semelhantes foram identificados em Tahivilla, no concelho de Tarifa (Cádiz), e em La Luisiana, na província de Sevilha.
Segundo as autoridades, citadas pelo jornal britânico Express, a decisão de ativar o alerta foi tomada após uma avaliação de risco urgente que concluiu que os mosquitos infetados se encontravam muito próximos de zonas habitadas. A medida, inicialmente válida por quatro semanas, poderá ser prolongada para além de 5 de novembro caso surjam novos casos ou se detetem mais insetos portadores do vírus.
Durante este período, serão reforçados os trabalhos de monitorização de mosquitos, aves e cavalos, bem como a vigilância de eventuais sintomas em humanos.
Sintomas e riscos para a população
Na maioria das pessoas, o vírus do Nilo Ocidental (WNV) não causa sintomas, mas cerca de um em cada cinco infetados desenvolve febre, dores de cabeça, dores musculares e outros sintomas semelhantes aos da gripe. De acordo com a Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido, estes sinais costumam surgir entre dois e 14 dias após a infeção e desaparecem em três a seis dias.
Em casos raros, o vírus pode atingir o sistema nervoso central, provocando inflamações no cérebro ou na medula espinal, podendo ser fatal, de acordo com a fonte acima citada.
Um cidadão britânico, residente em Hampshire, que contraiu o vírus durante uma viagem à Índia, contou à BBC que ficou “seriamente doente” e continua a lidar com as sequelas um ano depois. “Apresentava sintomas semelhantes aos de um AVC. Foi assustador”, afirmou, acrescentando que ainda sofre de fraqueza e tremores no lado esquerdo do corpo.
Escolas e lares sob orientação especial
Em Málaga, as autoridades locais estão a emitir orientações preventivas a escolas, lares e moradores das zonas afetadas, recomendando o uso de repelentes, roupas que cubram a pele e redes mosquiteiras.
Na cidade de Antequera, também na província de Málaga, um cavalo testou positivo à febre do Nilo, o que confirma que o vírus está ativo na região. Apesar de o animal se encontrar a mais de um quilómetro de qualquer zona habitada, a área foi classificada como de alto risco, de acordo com a fonte anteriormente citada.
Casos em forte crescimento na Europa
De acordo com dados do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), entre junho e setembro de 2025 foram registados 989 casos de infeção em 13 países europeus, resultando em 63 mortes.
A maioria das infeções ocorreu em Itália (714 casos), seguida da Grécia (91), Sérvia (60), França (42), Roménia (36) e Espanha (23).
Os números deste ano já ultrapassam a média da última década, que rondava os 687 casos para o mesmo período. Ainda assim, o surto de 2025 continua abaixo dos picos registados em 2018, 2022 e 2024, quando foram contabilizadas mais de mil infeções em toda a Europa.
Vigilância reforçada no sul de Espanha
As autoridades sanitárias andaluzas garantem que o vírus se encontra “sob controlo”, mas alertam para a necessidade de manter vigilância reforçada até ao inverno, altura em que as temperaturas mais baixas reduzem a atividade dos mosquitos, de acordo com o Express.
O vírus do Nilo Ocidental, transmitido pela picada de mosquitos infetados, continua a ser uma das principais preocupações de saúde pública na Europa meridional, especialmente nas regiões costeiras onde o clima quente favorece a sua propagação.
















