Com o tempo, o corpo muda, e as marcas da idade tornam-se visíveis na pele, nos ossos e até na energia com que se enfrenta o dia. A ciência continua a procurar formas de envelhecer com mais saúde, e um novo estudo aponta agora uma solução inesperada: uma vitamina simples, acessível e com resultados promissores ao nível celular.
Durante anos, os produtos de beleza foram apresentados como o segredo para travar o envelhecimento. No entanto, muitas dessas soluções atuam apenas à superfície, sem efeitos duradouros. Mais recentemente, segundo a Green Vibe, os investigadores têm olhado para dentro do corpo, em busca de respostas mais eficazes.
Uma equipa de cientistas acompanhou um grupo de pessoas com mais de 50 anos durante cinco anos, analisando o impacto da vitamina D3 no envelhecimento celular. Os resultados foram publicados na conceituada revista The American Journal of Clinical Nutrition.
O que está por trás da descoberta
Este estudo foi conduzido pelo Mass General Brigham e pelo Medical College of Georgia, nos Estados Unidos. Os investigadores focaram-se nos telómeros, estruturas que protegem os cromossomas e que se encurtam com a idade. O encurtamento dos telómeros é considerado um marcador do envelhecimento biológico. À medida que estas estruturas diminuem, as células tornam-se menos eficazes e mais vulneráveis a doenças.
Os participantes foram divididos em dois grupos. Um recebeu diariamente 2.000 UI de vitamina D3. O outro tomou um placebo. Com o tempo, foram registadas as alterações nos telómeros.
Resultados que surpreenderam os investigadores
Quem tomou vitamina D3 manteve os telómeros mais longos, o que indica um ritmo de envelhecimento celular mais lento. Em termos práticos, estima-se que isso represente cerca de três anos de juventude biológica preservada.
Já os participantes que tomaram apenas o placebo apresentaram maior desgaste celular. No mesmo estudo, os ácidos gordos ómega 3 foram também analisados, mas não mostraram benefícios significativos neste aspeto.
A possibilidade de influenciar o envelhecimento celular com uma vitamina acessível abre caminho a novas abordagens na área da saúde preventiva, refere a mesma fonte.
Para que serve a vitamina D3
A vitamina D3 é essencial para a absorção de cálcio e fósforo, ajudando a manter os ossos fortes. Tem também um papel fundamental no funcionamento do sistema imunitário.
Além disso, está envolvida na saúde muscular, no equilíbrio do humor e na produção de serotonina, uma substância associada ao bem-estar. Níveis baixos de D3 estão ligados a maior cansaço, desânimo e perda de concentração. Por todos estes motivos, garantir níveis adequados desta vitamina é importante para a saúde em geral, em todas as fases da vida.
Recomendamos: Nem cerveja, nem vinho: hospedeira revela qual é a bebida que ‘nunca’ deve pedir a bordo de um avião
Como obter vitamina D3 naturalmente
O corpo humano consegue produzir vitamina D3 quando a pele é exposta ao sol. Cerca de 15 a 30 minutos diários de exposição solar são normalmente suficientes para manter níveis equilibrados.
A alimentação também é uma fonte importante. Os peixes gordos, como o salmão, a cavala, a sardinha e o atum, estão entre os alimentos mais ricos em D3. A gema do ovo, alguns queijos curados e o óleo de fígado de bacalhau também a fornecem.
Cogumelos que tenham estado expostos ao sol podem contribuir em menor escala, sendo um complemento útil em dietas variadas.
Quando considerar suplementar
Nem sempre é possível obter toda a vitamina D3 necessária apenas com sol e alimentação, sobretudo durante os meses de inverno ou em pessoas com mais de 50 anos.
Nesses casos, a suplementação pode ser recomendada. A dose usada no estudo foi de 2.000 UI por dia, mas o valor adequado deve ser ajustado caso a caso, com base em análises clínicas. Antes de iniciar qualquer suplemento, é essencial consultar um profissional de saúde, de acordo com a mesma fonte acima citada. O excesso de vitamina D pode causar efeitos adversos e deve ser evitado.
Um aliado discreto, mas eficaz
Envelhecer é um processo natural, mas não tem de ser sinónimo de perda de qualidade de vida. A preservação dos telómeros, agora associada à vitamina D3, pode ser um passo simples, mas significativo. Esta vitamina, até agora mais conhecida pela sua ação nos ossos, ganha assim destaque noutra frente: a da longevidade celular. Num mundo cada vez mais atento à saúde, esta descoberta poderá mudar hábitos de milhões de pessoas, refere ainda a Green Vibe.
Num gesto tão simples como apanhar sol ou incluir determinados alimentos na dieta, pode estar uma das chaves para envelhecer melhor. E, segundo os investigadores, não é preciso muito para começar a fazer a diferença.
Leia também: Nem robalo nem dourada: espanhóis alertam que este peixe tem mais de 70 parasitas e é o “mais perigoso do mundo”
















