Hoje em dia, há um aparelho presente em quase todas as casas que, além de entreter, também recolhe informações sem que muitos se apercebam. Discreto, moderno e aparentemente inofensivo, este dispositivo está ligado à Internet e integra tecnologias capazes de escutar, observar e transmitir dados. O que poucos imaginam é que, ao usá-lo no dia a dia, podem estar a expor a sua privacidade mais do que gostariam.
A televisão deixou há muito de ser apenas um ecrã onde se vêem filmes e programas. Hoje em dia, as Smart TVs estão presentes em praticamente todas as casas e transformaram-se em verdadeiros centros multimédia. Mas, por trás da promessa de inovação e conveniência, esconde-se um lado menos conhecido: a recolha de dados pessoais sem o nosso total conhecimento.
Tecnologia que escuta e observa
Segundo a Betech, nem todos sabem que estas televisões modernas trazem microfones e câmaras integradas, prontos a captar não só os nossos comandos de voz, mas também sons e imagens do nosso dia a dia. Ao ligarem-se à Internet, tornam-se janelas discretas para o exterior, através das quais os nossos hábitos podem ser monitorizados.
Dados partilhados sem transparência
Já em 2019, o Financial Times denunciava que marcas como Samsung e LG estavam a partilhar dados como a localização e o endereço IP dos utilizadores com plataformas de streaming e anunciantes. Esta prática, feita muitas vezes de forma silenciosa, levanta sérias questões sobre o respeito pela privacidade.
Mesmo quando não estão a ser utilizadas, as Smart TVs continuam a recolher informação. Estudos recentes indicam que, sem estarmos frente ao ecrã, os dispositivos conseguem enviar detalhes sobre os conteúdos que consumimos, as horas em que assistimos televisão e até os dias em que estamos ou não em casa.
Entidades oficiais também espiam
Segundo o FBI, existem suspeitas de que empresas como a Vizio, a LG e a Samsung tenham utilizado as suas televisões para vigiar os utilizadores. Casos documentados mostram ainda como a CIA e o MI5 conseguiram aceder remotamente a câmaras e microfones embutidos nos aparelhos.
Uma vigilância quase invisível
Apesar de tudo isto, a maioria dos utilizadores desconhece que está a ser vigiada. A facilidade de uso e o design apelativo fazem esquecer os perigos escondidos, e poucos vão às definições de privacidade para saber o que está ativado por defeito.
Riscos que vêm de fora
Além disso, há um risco crescente de hackers explorarem estas vulnerabilidades para aceder aos equipamentos. Com a ligação à rede Wi-Fi doméstica, os cibercriminosos podem entrar no sistema da televisão e espiar à distância, sem deixar rasto.
Recomendamos: Nem na mão, nem no porão: União Europeia proíbe este objeto usado por ‘todos’ de viajar nesta bagagem do avião
Como reduzir os perigos
Para evitar este tipo de situações, e de acordo com a mesma fonte, os especialistas recomendam desativar funcionalidades como o reconhecimento automático de conteúdo (ACR), desligar o microfone quando não está a ser usado e cobrir a câmara com uma fita adesiva.
Outra dica importante passa por manter o software da televisão sempre atualizado. Os fabricantes costumam lançar correções de segurança, mas é necessário instalar essas actualizações manualmente em muitos modelos.
Desligar a ligação à Internet é outra forma eficaz de limitar a vigilância, sobretudo se não se usam as aplicações de streaming ou as funcionalidades online com frequência. Sem acesso à rede, grande parte da recolha de dados deixa de ser possível.
Confirmações da comunidade científica
Num relatório recente, investigadores espanhóis confirmaram que as Smart TVs enviam informação constantemente para servidores de terceiros. Estes dados são depois usados para personalizar publicidade e para vender perfis de comportamento a empresas de marketing.
A investigação foi conduzida pela Universidade Carlos III de Madrid, e os especialistas destacaram o papel da tecnologia ACR como ferramenta de espionagem invisível. O mais preocupante é que muitos consumidores nem sequer sabem que esta funcionalidade existe.
Conforto doméstico em risco
Em casa, onde procuramos conforto e segurança, poucas pessoas esperam estar a ser observadas. Mas à medida que a tecnologia se torna mais omnipresente, é essencial mantermos uma postura crítica e informada sobre os aparelhos que usamos.
Rever definições de privacidade, limitar o acesso à Internet e conhecer as funcionalidades reais dos aparelhos são passos importantes para manter o controlo da nossa vida privada, de acordo com a Betech.
Leia também: Nem frigorífico nem fruteira: descubra o local ideal para prolongar a ‘vida útil’ das suas bananas este verão
















