Publicar uma imagem do bilhete de avião ou do número de voo nas redes sociais pode parecer um gesto inocente, mas pode abrir a porta a ataques informáticos. Quem o garante é Bruno Pérez, especialista em cibersegurança, que deixou o alerta durante uma entrevista estação de rádio SER Catalunya.
O problema não está apenas na exposição dos dados pessoais. Citado pelo jornal espanhol La Vanguardia, o especialista explicou que há aplicações como a Flightradar24 que permitem a qualquer pessoa acompanhar em tempo real o trajecto de um voo, bastando introduzir o seu número. “Muita gente publica fotos do embarque com o código do voo bem visível. E não se apercebe do risco que isso representa”, explicou.
O ataque silencioso em pleno voo
Quando o passageiro entra no avião e coloca o telemóvel em modo de voo, deixa de receber mensagens ou chamadas. Segundo Bruno Pérez, é precisamente neste momento que os cibercriminosos podem actuar. “Enquanto está a voar, podem clonar o seu cartão SIM. E a partir desse momento, estão em condições de recuperar palavras-passe ou aceder à sua conta bancária.”
A técnica passa por iniciar processos de recuperação de conta com recurso ao número de telefone. Ao clonar o SIM, os atacantes recebem os códigos por SMS e conseguem entrar em perfis de e-mail, redes sociais ou serviços bancários.
O perigo do excesso de partilhas em tempo real
Além do rastreio do voo, o simples facto de divulgar que está fora de casa pode facilitar esquemas mais complexos. “Os ataques mais sofisticados acontecem muitas vezes entre as 2 e as 4 da manhã. Usam bloqueadores de sinal, e às vezes só percebemos quando é tarde demais”, alertou Bruno Pérez.
As horas mortas são aproveitadas para executar cópias de segurança fraudulentas, mudar credenciais e comprometer toda a informação pessoal e financeira do utilizador.
O truque: partilhar apenas depois de regressar
Apesar dos riscos, o especialista reconhece que é normal querer mostrar fotos de viagens. “Todos o fazemos, é natural. Mas deve ser feito com algum desfasamento.”
A solução passa por publicar apenas depois do regresso ou, pelo menos, algumas horas mais tarde. “Quando pensam que estou a voar, já fui e voltei quatro vezes”, brincou Bruno Pérez, numa estratégia que recomenda a todos os utilizadores de redes sociais.
A segurança digital começa nos pequenos gestos
Especialistas sublinham que muitos ataques começam com informações recolhidas nas redes sociais. Dados aparentemente irrelevantes, como uma foto do cartão de embarque, podem ser suficientes para desencadear um processo de hacking, de acordo com o La Vanguardia.
A dica é simples: antes de publicar algo relacionado com uma viagem, pense se está a partilhar dados que outros podem usar. No caso dos voos, a discrição pode ser a melhor aliada da segurança.
















