Durante décadas, as casas de banho seguiram um modelo quase imutável. Entre lavatórios, azulejos e espelhos, o ritual do dia-a-dia manteve-se igual em milhões de lares. Mas uma mudança silenciosa está a ganhar terreno e pode vir a redefinir a forma como se pensa a higiene pessoal no Ocidente.
A novidade? A substituição do papel higiénico por sanitas com jato de água, também conhecidas como washlets ou sanitas inteligentes. Depois de décadas de uso comum no Japão, este sistema começa agora a entrar nos hábitos de alguns europeus.
Primeiros sinais de mudança
De acordo com a TOTO, empresa japonesa que lidera a produção de sanitas inteligentes, os chamados washlets têm vindo a ser instalados em hotéis como o Mayfair Hotel, em Londres, o Park Hyatt Paris-Vendôme e o Marriott City West, em Munique.
Aos poucos, esta tecnologia está a chegar a casas particulares, restaurantes e até a alguns aeroportos, onde muitos utilizadores contactam com estes dispositivos pela primeira vez.
Os washlets utilizam jatos de água reguláveis para a higiene íntima, e podem incluir funcionalidades como secagem com ar quente, tampa automática e controlo de temperatura. A ideia não é nova no Japão, onde fazem parte do quotidiano há décadas, mas é ainda recente no contexto europeu.
Entre a curiosidade e a resistência
Apesar da curiosidade, a adesão continua limitada. Os preços são elevados, com os modelos mais acessíveis a começar nos 1200 euros, enquanto que os mais avançados podem ultrapassar os 7000.
Além disso, a instalação pode exigir obras ou adaptações nas casas de banho, como a inclusão de tomadas elétricas junto ao vaso sanitário.
A isto soma-se a força do hábito. O papel higiénico, introduzido nos Estados Unidos no século XIX, consolidou-se como o padrão de higiene pessoal em grande parte do mundo ocidental. Substituí-lo exige mais do que uma alternativa prática: implica alterar costumes profundamente enraizados.
Higiene e impacto ambiental
A mudança, ainda que lenta, é alimentada por novas preocupações. A utilização de água para a higiene pessoal é considerada por muitos especialistas como mais eficaz, sobretudo no que toca à remoção de bactérias e à prevenção de irritações ou infeções dermatológicas.
Por outro lado, a produção de papel higiénico tem um impacto ambiental considerável, tanto na utilização de recursos naturais como no descarte de resíduos.
Quando combinado com toalhetes húmidos e outros produtos não biodegradáveis, pode até causar problemas nos sistemas de esgoto.
Um futuro discreto… mas em curso
Segundo a TOTO, a crescente sensibilidade ambiental e a procura por soluções mais suaves estão a impulsionar esta tendência, que continua, para já, a fazer o seu caminho de forma discreta.
O Ocidente poderá ainda não estar preparado para uma mudança em larga escala, mas os sinais são claros: há um novo gesto a instalar-se nas casas de banho. E, como tantas vezes acontece, tudo começa com um simples botão.
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