Aos 79 anos, Jeffrey Bland não espera por sintomas para agir. Fundador do Instituto de Medicina Funcional e reconhecido como uma das figuras pioneiras da área, este cientista norte-americano passou mais de três décadas a investigar o impacto dos hábitos diários na saúde a longo prazo. A sua rotina, meticulosamente desenhada e aplicada, resume-se a um princípio: prevenir antes de tratar.
De acordo com a CNBC, Bland recusa-se a confiar em soluções de última hora. Em vez disso, propõe um compromisso diário com o corpo e a mente. O seu dia começa com um momento de gratidão ao acordar. “Esse gesto inicial orienta tudo o que se segue”, explica.
O método que propõe está dividido em três eixos principais. O primeiro é o exercício físico regular. O segundo, a alimentação baseada em cor. E o terceiro, o descanso consciente. Todos os dias, Bland reserva uma hora para atividade física. Pode ser corrida, caminhada, aeróbica ou pilates, frequentemente acompanhado pela esposa.
Primeiro o corpo, depois a cabeça
A hora de atividade física é sagrada. O objetivo não é a performance, mas o compromisso. No fim do dia, há uma segunda hora obrigatória: o relaxamento. Ler livros sobre natureza e aventuras é uma das suas práticas favoritas. “Não me deito a pensar no último e-mail do dia”, refere à CNBC.
Segundo a mesma fonte, a alimentação é outro dos pilares da sua rotina saudável. Para Bland, não é necessário seguir dietas rigorosas, mas sim prestar atenção à variedade de cores no prato. “Quanto mais colorido, melhor”, afirma. Isto porque os pigmentos naturais presentes nas frutas e vegetais são ricos em fitonutrientes com propriedades benéficas para o sistema cardiovascular e o cérebro.
A Universidade de Harvard já destacou, em várias publicações, o papel destes compostos vegetais na redução do risco de doenças degenerativas. Bland apoia-se nestes dados para defender uma transição no modelo de cuidados médicos.
Prevenir não é tendência, é fundamento
A sua maior crítica ao sistema actual é a lógica reativa. Em vez de intervir apenas após o diagnóstico, propõe uma abordagem contínua de promoção da saúde. Fundou o Instituto de Medicina Funcional em 1991, após ter trabalhado com o químico Linus Pauling, duas vezes vencedor do Prémio Nobel.
Escreve o jornal norte-americano que, apesar da sua dedicação, a medicina funcional continua a ser marginal face à medicina tradicional. A maioria das clínicas e hospitais mantém o foco no tratamento, não na prevenção.
Uma hora por dia pode evitar anos de consultas
A falta de estudos de grande escala sobre o impacto do método não impediu Bland de seguir o próprio exemplo. Não há dados públicos sobre melhorias concretas na esperança média de vida ou redução de doenças, mas o investigador acredita que o compromisso pessoal é mais eficaz do que qualquer receita médica.
Acrescenta a publicação que o seu maior conselho é o de manter uma ligação a algo maior do que o próprio bem-estar. Ter um propósito é, para Bland, essencial para a saúde mental e física. “Tudo o que dás ao mundo, permanece”, declara.
Meditação, comida colorida e movimento
A rotina saudável que defende inclui práticas simples, mas consistentes: uma hora de exercício físico, uma hora de leitura ou meditação, refeições coloridas e um tempo de qualidade para relaxar. São estas pequenas decisões diárias que, acumuladas, sustentam a vitalidade com o passar dos anos.
Conforme a mesma fonte, esta estratégia pode ser mais acessível do que parece. Não exige recursos complexos nem acesso privilegiado a cuidados de saúde. Apenas o compromisso com um estilo de vida que, segundo Bland, “não dá espaço para a doença se instalar”.
Foco, intenção e consistência
No fim de contas, conforme a CNBC, a fórmula de Bland não é nova. O que a distingue é a consistência e a forma como traduz décadas de investigação científica em hábitos concretos. O seu legado é tanto a fundação de uma nova abordagem médica como o exemplo prático de que a saúde pode, em grande parte, ser cultivada.
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