Quando se pensa em fruta, a ideia imediata é a de algo saudável, fresco e inofensivo. Maçãs, laranjas ou bananas são presenças garantidas nas fruteiras portuguesas, escolhas seguras e comuns no dia a dia. Porém, existe uma exceção tropical, uma fruta que ganhou fama mundial por ser potencialmente letal quando consumida de forma imprópria. O nome é ackee e, apesar de pouco conhecida em Portugal, é a principal fruta nacional da Jamaica.
O perigo escondido no ackee
De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o ackee deve ser manuseado com extremo cuidado devido à presença de compostos tóxicos.
Antes de amadurecer por completo, esta fruta contém hipoglicina A e B, substâncias que, se ingeridas, podem provocar uma condição grave designada por doença do vómito jamaicana.
Esta afeta sobretudo o sistema nervoso e digestivo, levando a sintomas como náuseas intensas, vómitos, convulsões e, em casos mais extremos, ao coma e até à morte.
Só após a abertura natural do fruto na árvore é que o ackee pode ser consumido. Esta abertura revela os arilos carnudos e brilhantes, a única parte comestível da fruta, que deve ser preparada com cuidado para eliminar qualquer resíduo de toxinas. As sementes pretas, redondas e brilhantes, por sua vez, são sempre venenosas e devem ser completamente descartadas.
Segundo o site do Ministério da Agricultura jamaicano, a venda do ackee cru está proibida ou fortemente regulada em vários países.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a importação apenas é autorizada quando a fruta está em conserva, já devidamente tratada para garantir a segurança alimentar.
O jornal The Guardian já destacou em várias ocasiões o risco associado ao consumo inadequado do ackee, sublinhando que o seu sabor amanteigado e textura macia podem esconder um perigo real para a saúde.
Uma fruta com sabor e risco
Outras frutas, como as maçãs ou pêssegos, contêm pequenas quantidades de substâncias tóxicas nas suas sementes, mas o ackee é o único fruto que une tradição culinária e risco letal numa combinação rara. Ainda assim, o seu valor gastronómico é inegável e faz parte da cultura alimentar jamaicana há décadas.
Apesar do risco, o ackee continua a ser apreciado por quem conhece bem o seu manuseamento e preparação.
Segundo a FAO, a lição que fica é clara: nem tudo o que vem da natureza é seguro por si só. E no reino das frutas, o ackee é o exemplo perfeito de que é necessário saber o que se faz para evitar o perigo.
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