O hábito de trabalhar longas horas seguidas sem fazer pausas adequadas tem-se tornado uma realidade cada vez mais comum em Portugal. Muitos trabalhadores sentem-se pressionados a manter um ritmo elevado durante toda a jornada, mas desconhecem os riscos que esta prática pode acarretar para a sua saúde física e mental. Apesar de ser uma questão sensível, a falta de pausas no trabalho continua a passar despercebida em vários sectores.
Trabalhar sem intervalos regulares não só prejudica o desempenho como também pode desencadear consequências graves que se refletem na qualidade de vida. Este problema afecta desde os profissionais da saúde até aos que trabalham em escritórios, sendo necessário dar-lhe maior atenção e promover mudanças urgentes.
Trabalho sem descanso
O Doutor Finanças, site especializado em temas de saúde financeira e bem-estar, revela que muitos portugueses não cumprem as pausas mínimas recomendadas durante a jornada laboral. Esta falta de intervalos é frequentemente vista como um esforço extra ou um sinal de dedicação, quando na verdade se trata de uma prática prejudicial que pode agravar o cansaço e o stress.
Quando não existem pausas, o corpo e a mente acumulam desgaste que se traduz em perda de concentração, aumento do risco de erros e redução da produtividade. A pressão constante de não parar para descansar acaba por comprometer o equilíbrio necessário para um desempenho saudável e sustentável no trabalho.
Consequências para a saúde
A ausência de pausas regulares é uma das principais causas do burnout, um estado de exaustão física e psicológica que afecta cerca de 15% dos trabalhadores portugueses. Esta condição resulta do acúmulo de stress e da incapacidade de recuperar energias ao longo do dia, tornando-se um problema de saúde pública.
Além dos efeitos mentais, a falta de descanso durante o trabalho pode levar ao aparecimento de dores musculares, problemas cardiovasculares e outras complicações físicas. Estes sintomas agravam-se com o tempo, podendo provocar ausências prolongadas e diminuição da qualidade de vida, tanto profissional como pessoal.
O impacto na vida pessoal
A mesma fonte alerta ainda para o impacto negativo que as longas horas de trabalho sem pausas têm fora do ambiente profissional. O desequilíbrio entre trabalho e vida pessoal torna-se evidente, principalmente em contextos de teletrabalho, onde as fronteiras entre casa e emprego se confundem.
Muitos trabalhadores referem que a falta de intervalos e o prolongamento da jornada laboral dificultam o tempo disponível para a família, lazer e cuidados pessoais. Este desgaste contínuo compromete o bem-estar geral e pode levar a problemas emocionais, como ansiedade e depressão, que afetam todas as áreas da vida.
Legislação e fiscalização
O Código do Trabalho português define regras claras sobre os intervalos obrigatórios para descanso. O artigo 214.º defende que quem trabalha mais de seis horas tem direito a uma pausa mínima de uma hora, salvo acordo diferente entre empregador e trabalhador. Para quem realiza entre três e seis horas de trabalho, o intervalo obrigatório é de pelo menos 15 minutos.
A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) é responsável por fiscalizar o cumprimento destas normas, mas a sua aplicação nem sempre é rigorosa. Muitas empresas não asseguram o respeito pelos descansos mínimos, o que contribui para a continuidade desta prática prejudicial. É essencial que os trabalhadores conheçam os seus direitos e que a fiscalização seja reforçada para proteger a saúde laboral.
Parar antes que seja tarde
O Doutor Finanças recomenda que os trabalhadores que se habituaram a longos períodos sem pausas devem reconsiderar urgentemente este comportamento. A preservação da saúde depende de um equilíbrio entre esforço e descanso que permita recuperar energias e manter a produtividade a longo prazo.
A adopção de pausas regulares não é apenas uma questão legal, mas uma necessidade para evitar problemas graves. O bem-estar dos trabalhadores portugueses deve ser prioridade para empregadores e para a sociedade, garantindo condições que promovam a saúde física e mental no local de trabalho.
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