A procura por alimentos que ajudem a controlar o colesterol é constante entre especialistas e consumidores. Reduzir o colesterol total e o LDL (colesterol ‘mau’) é uma das estratégias mais eficazes para prevenir doenças cardiovasculares, e a alimentação desempenha um papel central nesse objetivo.
Várias dietas têm sido propostas, e inúmeros alimentos foram estudados, mas há um ingrediente em particular que se destaca, discretamente, entre todos, e que já está presente na maioria das cozinhas.
Usado diariamente em refogados, molhos, sopas e pratos principais, o alho passa frequentemente despercebido como agente terapêutico. A sua presença é habitual, mas os efeitos que pode ter no organismo permanecem desconhecidos para grande parte da população.
Mais do que um simples tempero
De acordo com o site Noticias Trabajo, estudos científicos recentes confirmam que o alho, sobretudo na sua versão mais envelhecida, tem a capacidade de reduzir significativamente a pressão arterial e os níveis de colesterol LDL.
Um desses estudos é a metanálise publicada por Karin Ried em 2016, que conclui que a suplementação regular com alho teve efeitos notórios em pessoas com hipertensão e colesterol elevado.
Os resultados obtidos por este estudo apontam também para melhorias consistentes na saúde cardiovascular dos participantes, incluindo maior resistência imunológica e menor risco de formação de placas de gordura nas artérias.
Impacto direto na circulação
Outro estudo, conduzido por Ackermann em 2001, analisou o efeito deste alimento sobre a agregação plaquetária, um processo que, quando desregulado, pode conduzir à formação de coágulos e aumentar o risco de enfarte ou AVC.
Os resultados revelaram que o seu consumo pode ajudar a prevenir a progressão de doenças cardiovasculares, ao atuar diretamente na fluidez do sangue.
Estes efeitos não dependem apenas da quantidade consumida, mas também da forma como o alimento é preparado ou processado. A versão envelhecida, por exemplo, revelou concentrações superiores de compostos ativos com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.
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Produção nacional com peso na economia agrícola
Portugal é um dos principais produtores deste alimento no contexto europeu, com regiões como o Alentejo, o Ribatejo e a zona Oeste a liderarem o cultivo.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, a produção nacional ronda as 10 mil toneladas por ano, grande parte das quais destinada ao consumo interno.
A versatilidade culinária, aliada à durabilidade e ao sabor característico, faz com que este produto esteja sempre presente nas despensas nacionais. A sua incorporação na dieta é simples, acessível e altamente valorizada no contexto da alimentação mediterrânica.
Aliado contra infeções e apoio digestivo
Para além do seu impacto na saúde cardiovascular, o alho tem sido associado a benefícios significativos no combate a infeções. A presença de alicina, um composto sulfurado libertado quando o alho é esmagado ou cortado, confere-lhe propriedades antimicrobianas que atuam contra bactérias, vírus e fungos.
Este efeito tem sido explorado tanto na medicina tradicional como em investigações laboratoriais, com resultados que indicam uma capacidade de inibição de microrganismos como Escherichia coli, Salmonella e Candida albicans. Estas propriedades podem justificar o seu uso tradicional como “antibiótico natural” em situações de infeções respiratórias ligeiras.
Outro benefício menos conhecido está relacionado com a digestão. O alho estimula a produção de enzimas digestivas e pode favorecer a motilidade intestinal, ajudando a prevenir distúrbios como a dispepsia e o inchaço abdominal.
Alguns estudos sugerem ainda que o consumo regular de alho pode contribuir para o equilíbrio da microbiota intestinal, funcionando como um prebiótico natural, especialmente quando ingerido cru em pequenas quantidades. Estes efeitos, aliados à sua facilidade de utilização culinária, tornam o alho num complemento valioso numa dieta voltada para o bem-estar global.
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