Chegar a casa ao final do dia e preparar algo simples para o jantar é um hábito comum a muitas pessoas. Com o cansaço acumulado, nem sempre há tempo ou disposição para pensar numa refeição equilibrada. Por isso, escolhas rápidas e práticas acabam por se repetir. No entanto, nem todos os jantares são adequados para o organismo, sobretudo à noite, quando o metabolismo abranda e o corpo se prepara para descansar.
De acordo com o jornal El País, o médico espanhol Manuel Viso, especializado em urgências e hematologia, alertou para três refeições bastante comuns que ele nunca escolheria para o jantar. Estas opções, segundo o mesmo especialista, são pobres do ponto de vista nutricional e contêm excesso de gordura ou açúcar, podendo prejudicar a qualidade do sono e o bem-estar geral.
Batatas fritas com carne: uma combinação pouco recomendada
O primeiro dos jantares a evitar, segundo o médico citado pela mesma fonte, é um prato de batatas fritas com carne frita. Embora à primeira vista possa parecer apenas uma refeição rica e saborosa, o seu valor nutricional é altamente questionável.
Viso sublinha que as batatas, quando fritas, perdem grande parte das suas propriedades benéficas, sendo absorventes de óleos refinados e ricas em sódio.
Além disso, alerta para a presença de acrilamida, uma substância potencialmente cancerígena que pode formar-se durante o processo de fritura.
Quando a este prato se junta carne também frita, os riscos aumentam, uma vez que se combinam duas fontes elevadas de gordura, muitas vezes saturada, e poucos nutrientes essenciais.
De acordo com o mesmo médico, nem todas as carnes são iguais, mas muitas das opções comuns para este tipo de refeição, como hambúrgueres processados ou bifes panados, acrescentam ainda mais aditivos e sal à equação, tornando o prato pouco adequado para o jantar.
Esparguete com molho de tomate e queijo: menos inocente do que parece
O segundo exemplo apontado por Viso à mesma fonte é o esparguete com molho de tomate e queijo ralado, um clássico de muitos lares europeus. À primeira vista, este é um dos jantares que pode parecer equilibrado, mas o especialista sublinha que se trata de uma ilusão. A massa branca é pobre em fibras e minerais, o que faz com que o organismo a digira rapidamente, podendo provocar picos de glicemia.
Para além disso, como indica a mesma fonte, muitos molhos de tomate disponíveis no mercado contêm açúcares escondidos e conservantes que comprometem a sua naturalidade. Já o queijo ralado, frequentemente utilizado nesta combinação, nem sempre é verdadeiramente queijo. Segundo Viso, muitos produtos identificados como “queijo ralado” são, na verdade, misturas processadas com baixo teor de leite e alto teor de gordura.
O especialista aconselha atenção à composição dos ingredientes, alertando que este tipo de refeição, quando repetida com frequência aos jantares, pode afetar a qualidade do sono e contribuir para o aumento de peso, tal como mencionado no El País.
Leite com chocolate e bolachas: tradição com excesso de açúcar
A terceira sugestão a evitar, de acordo com o mesmo médico, é uma das mais populares entre os mais jovens: um copo de leite com chocolate e bolachas. Apesar de evocar memórias de infância, esta combinação é, segundo Viso, uma “bomba de açúcar” que oferece pouco valor nutricional.
Segundo a mesma fonte, muitos produtos de chocolate em pó utilizados para esta bebida têm teores elevados de açúcar e adoçantes, que podem interferir nos níveis de glicose no sangue durante a noite. O mesmo se aplica às bolachas, que habitualmente contêm farinhas refinadas, óleos vegetais e açúcares adicionados, sendo pobres em fibras, proteínas ou vitaminas.
O médico recorda que, embora possa parecer uma opção reconfortante, este tipo de refeição está longe de fornecer os nutrientes necessários para uma recuperação adequada durante a noite. Pelo contrário, o consumo frequente destes alimentos à hora do jantar pode contribuir para noites mal dormidas e cansaço acumulado, como frisou ao El País.
Comer tarde e mal: uma rotina que compromete a saúde
O alerta de Viso, partilhado nas redes sociais e citado pela mesma fonte, foca-se na importância de escolher refeições equilibradas, especialmente à noite. O médico salienta que os alimentos consumidos durante o jantar influenciam directamente a qualidade do sono, o funcionamento metabólico e até o humor no dia seguinte.
Embora o ritmo de vida acelerado leve muitas pessoas a optar por refeições rápidas e práticas ao fim do dia, segundo a mesma fonte, a escolha de alimentos ricos em gordura e açúcares pode ter consequências a longo prazo. Entre elas, estão o aumento da pressão arterial, dificuldades digestivas e até alterações hormonais ligadas ao sono.
O médico termina o seu alerta aconselhando que, sempre que possível, se substituam estas escolhas por alimentos leves e ricos em fibra, como vegetais, proteína magra e hidratos de carbono complexos, ainda que, como refere a mesma fonte, a sua recomendação principal seja a moderação e a consciência alimentar.
A mensagem deixada por Manuel Viso procura, segundo a mesma fonte, promover a reflexão sobre hábitos enraizados, que apesar de comuns, podem ser prejudiciais.
O especialista deixa claro que não se trata de eliminar completamente estes alimentos da alimentação, mas sim de os reservar para ocasiões pontuais e não os transformar numa rotina diária.
No fim de contas, como alerta o El País, aquilo que se come nas últimas horas do dia pode ter um peso maior do que muitos imaginam. E ainda que não se trate de uma regra rígida, evitar os três jantares mencionados por Viso pode ser um passo simples em direcção a noites mais tranquilas e uma melhor saúde a longo prazo.
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