Com o passar da idade, torna-se cada vez mais importante perceber se o corpo continua a responder bem às exigências do dia a dia. Embora muitas pessoas confiem em exames médicos ou testes de resistência para avaliar a sua saúde, há um gesto simples que pode dar uma resposta imediata sobre a condição física.
Um teste simples que revela mais do que parece
Um grupo de investigadores da Clínica Mayo procurou perceber quais os sinais físicos mais fiáveis para avaliar o envelhecimento saudável. Para isso, contou com a participação de 40 homens e mulheres com mais de 50 anos e com um estado de saúde considerado bom.
O estudo incluiu vários testes físicos. Os participantes começaram por caminhar 800 metros ao seu ritmo habitual, enquanto os investigadores analisavam a forma como cada um se movia.
A marcha, segundo os dados recolhidos, não apresentou alterações significativas com o avanço da idade.
Foram também avaliados os níveis de força muscular, através da extensão do joelho na posição sentada. Esta medição permitiu comparar a força dos membros inferiores entre os diferentes grupos etários. Verificou-se uma tendência clara para a perda de força com a idade.
Estabilidade em foco: o gesto que faz a diferença
Além da força, foi medida a estabilidade. Os participantes foram colocados de pé com os dois pés apoiados no chão e realizaram o teste com os olhos abertos e depois fechados.
O objetivo era perceber como a visão influencia o equilíbrio em pessoas com mais de 50 anos.
Após esses passos iniciais, foi introduzido um gesto simples, mas decisivo. Os participantes foram convidados a levantar um pé e manter-se em equilíbrio durante o maior tempo possível, com a perna de apoio escolhida por cada um. O tempo conseguido por cada pessoa foi registado.
Neste teste, os participantes com menos de 65 anos conseguiram manter-se em equilíbrio durante cerca de 17 segundos, em média. Já os que tinham 65 anos ou mais registaram uma média de apenas 11 segundos. Esta diferença, segundo os investigadores, é considerada significativa.
Para obter dados mais detalhados, foi usada uma plataforma com sensores que avaliou a transferência de peso e o nível de oscilação durante o gesto. Os investigadores verificaram que os participantes mais velhos apresentavam maior instabilidade e mais dificuldade em manter o equilíbrio.
O que revelam os resultados e como interpretá-los
Este tipo de avaliação não exige equipamentos complexos e pode ser feito em casa ou em ambiente clínico. Trata-se de uma forma rápida e eficaz de perceber como o corpo está a reagir ao envelhecimento, sobretudo em aspetos como a coordenação e o controlo muscular.
Segundo os médicos, um tempo inferior a cinco segundos neste gesto pode indicar um risco elevado de queda. Nesses casos, é aconselhável procurar acompanhamento médico e considerar a inclusão de exercícios específicos para melhorar o equilíbrio e a força.
O autor principal do estudo, Kenton Kaufman, destacou que este simples gesto pode funcionar como um sinal de alerta. Uma pessoa que não consiga manter o equilíbrio sobre uma perna durante cinco segundos poderá estar mais vulnerável a quedas e lesões futuras.
Por outro lado, quem consegue permanecer em equilíbrio durante 30 segundos, especialmente com mais de 60 anos, está provavelmente numa condição física muito boa. Este dado pode servir como referência para profissionais de saúde que acompanham o envelhecimento dos seus pacientes.
Equilíbrio: um sinal chave do envelhecimento saudável
A capacidade de manter o equilíbrio envolve múltiplos sistemas do corpo: força muscular, função neurológica, controlo postural e coordenação. Por isso, esta avaliação é considerada mais completa do que outros testes mais tradicionais, como a medição da marcha.
Estudos como este procuram encontrar métodos simples para detectar precocemente sinais de fragilidade física. Ao serem fáceis de aplicar e interpretar, estes testes tornam-se ferramentas úteis para médicos, fisioterapeutas e outros profissionais ligados à saúde.
De acordo com os dados divulgados, a perda de equilíbrio surge como um dos primeiros indicadores de declínio físico associado à idade. A sua monitorização regular pode ajudar a prevenir quedas e promover um envelhecimento mais seguro e autónomo.
O estudo completo foi publicado na revista científica PLOS One, que divulgou todos os detalhes metodológicos e resultados estatísticos. A investigação contou com a colaboração da Clínica Mayo, uma referência mundial na área da saúde.
As conclusões dos médicos foram ainda destacadas numa entrevista ao jornal norte-americano The Washington Post, onde se reforça a importância do equilíbrio como fator central na saúde física a partir dos 50 anos.
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