Esta semana principiou com os problemas do setor da saúde a dominarem, mais uma vez, as atenções. Primeiro, o caso da grávida que morreu no Hospital Amadora-Sintra e que afinal tinha acompanhamento médico no SNS, contradizendo o que a ministra da Saúde havia afirmado anteriormente e que era apontado como mais um caso de uma gravidez de imigrante que aparece à porta do SNS à 25ª hora. Não era. Em paralelo, surgiu a notícia do helicóptero inoperacional do INEM baseado em Loulé que tinha obrigado um recém-nascido em estado crítico a fazer de ambulância a viagem entre Faro e Lisboa.
Estes dois episódios surgem num momento que o Orçamento do Estado – já aprovado na generalidade – prevê cortes de 208 milhões na saúde. Ou, nas palavras do ministro das Finanças, medidas para melhorar a eficiência. Após a sucessão de casos no SNS, de que estes dois atrás referidos são os mais recentes, colocando bem em destaque as lacunas existentes, poderemos estar confortáveis em fazer fé numa melhoria da qualidade do serviço prestado com uma redução orçamental?
Parece já evidente que uma das mais decisivas medidas para melhorar a eficiência irá ocorrer quando o investimento em recursos humanos deixar de se fazer com base em tarefeiros e passar a ser a aposta em pessoal do quadro. Porque, se a ideia for a oposta e o Estado começar a cortar e a reduzir para que, no final de contas, fiquemos com um “mini-SNS”, acabaremos por colocar em causa a nossa segurança enquanto cidadãos e membros da nossa comunidade. Nos momentos de grande necessidade, foi o SNS a dar resposta, e de forma positiva. Lembremo-nos por exemplo da pandemia de COVID e do acidente do Elevador da Glória.
Apesar de todos os problemas que enfrenta, o SNS continua a ser o garante de que um dos direitos consagrados na nossa Constituição – a saúde – está ao alcance de todos os membros da comunidade, independentemente da sua condição financeira. Não se pretenda atribuir às unidades privadas um papel – central – que não é o seu.
Ah, por falar em central, o mês de outubro já acabou e não demos notícia de ter sido lançado o concurso para a construção do novo Hospital Central do Algarve, conforme anunciado na Festa do Pontal pelo primeiro-ministro.
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