Será que ainda acreditamos que Portugal é o “paraíso da Europa”, um país modelo onde tudo funciona, onde reina a harmonia social e a prosperidade? Só alguém completamente alheado da realidade pode defender isso. A verdade é outra: salários de miséria, habitação impossível, serviços públicos em colapso, insegurança crescente e um Estado que fecha os olhos à entrada descontrolada de quem vem para cá sem regras, sem integração e sem respeito pela nossa cultura.
Portugal não é um paraíso — está a transformar-se num país onde os jovens não conseguem viver, onde os mais velhos não conseguem sobreviver com pensões indignas, e onde o futuro se perde em cada avião que leva embora mais uma geração inteira. Enquanto isso, alimentamos a ilusão de que somos acolhedores e modernos, mas o que estamos a fazer é minar a coesão social e condenar a nossa identidade nacional a uma lenta erosão.
Nada disto é culpa da juventude portuguesa — mas é ela quem paga a fatura. Trabalha em condições precárias, não consegue formar família, não vê horizonte dentro de portas. E quem ousa levantar a voz é logo acusado de alarmismo ou intolerância.
Portugal já foi muito mais. Fomos um povo que enfrentou mares desconhecidos, que acreditou na sua missão histórica, que conquistou liberdade quando parecia impossível. Hoje, somos governados pelo medo de dizer a verdade e pela cobardia de enfrentar os problemas de frente.
Não, Portugal não é o paraíso da Europa. É um país à deriva, a perder o que tem de mais precioso: a sua força, a sua identidade, a sua coragem. Mas ainda há tempo de recuperar. Como disse Robert F. Kennedy: “O futuro não é um presente, é uma conquista.”
E essa conquista não precisa de ser feita contra ninguém, mas sim com todos os que, respeitando a nossa cultura e a nossa lei, queiram contribuir para um Portugal mais forte. Seremos capazes de proteger a nossa identidade e, ao mesmo tempo, construir uma nação mais justa, coesa e livre — um país onde valha a pena ficar, sonhar e acreditar.
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