Os próximos anos trazem novos desafios para as áreas do emprego e da formação profissional. Um aumento brutal da população estrangeira, taxa de desemprego em mínimos históricos, população empregada a bater recordes e taxa de desemprego jovem elevada são os principais fatores para a estratégia regional que deverá ser montada.
A taxa de desemprego está em níveis mínimos, 5,6% em 2025 (dados INE), o valor mais baixo nesta série do INE iniciada em 2011. E a população empregada está em níveis máximos, com 197.800 pessoas empregadas em 2025 (o valor mais elevado da mesma série do INE).
A tarefa não parece fácil para as empresas e outras entidades empregadoras que precisam de trabalhadores, em especial de trabalhadores qualificados.
Não existindo soluções mágicas nestes assuntos, importa procurar as pessoas que, por diversos motivos, têm estado afastadas do mercado de emprego. Nesta altura precisamos de todos. A arte vai ser trazê-los para o mercado de emprego. Se possível, qualificado.
Estrangeiros. A população estrangeira residente no algarve ascendia a 167.321 pessoas no final de 2024 (dados AIMA). No final de março/26, segundo o IEFP, estavam desempregados 6.573 estrangeiros na região algarvia, de um total de 17.070 pessoas (um peso de 38,5% do total).
Com pouca mão de obra disponível (e qualificada ainda menos) seria importante direcionar estes residentes para algumas profissões com muita procura e bons ordenados, que os nacionais não procuram. Com a devida qualificação profissional poderíamos injetar no mercado de emprego canalizadores, eletricistas, técnicos de refrigeração e climatização ou técnicos polivalentes de manutenção. A burocracia no reconhecimento das habilitações literárias dos países de origem poderá ser um entrave.
Jovens. Temos muitos jovens desempregados (em 2024, no Algarve, 7,8% dos jovens com idade entre 25 e 34 anos estavam desempregados. No continente este valor era de 5,7%. Dados INE). Ainda sobre o Algarve, os jovens “nem-nem” (nem trabalham, nem estudam) assumem valores elevados. A taxa de jovens com idade entre 16 e 29 anos, não empregados, que não estão em educação ou formação era de 11,5% em 2025 (8,3% no continente. Dados INE).
Estes jovens têm que vir para o “sistema”. Seja para trabalhar ou para formação profissional e posterior encaminhamento para trabalho. Eventualmente através de um trabalho integrado entre os serviços públicos de emprego e os CLAS (Conselho Local de Ação Social) de cada município, na ótica de envolver associações juvenis, desportivas e afins com relação com os jovens.
Beneficiários do RSI. Eram 6.046 beneficiários (2.836 famílias) com processamento de RSI na região algarvia no final de março/26 (dados ISS). Este público deve ser objeto de intervenção integrada, para que todos os que têm condições para o emprego possam dar a sua contribuição ao mundo laboral, eventualmente após alguma qualificação profissional (muitos já a terão). Mais uma vez, projetos integrados entre os serviços públicos de emprego, os CLAS e as equipas técnicas do RSI poderão fazer a diferença.
Inclusão de pessoas com deficiência. A inclusão não é apenas uma obrigação legal, é também uma oportunidade para promover a diversidade e maximizar as capacidades de todos os profissionais. Todos fazem falta nesta luta pela ocupação das ofertas de emprego disponíveis, promovendo em simultâneo a dignificação de quem luta pela plena inclusão. Refira-se que a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho tem evoluído positivamente, impulsionada por legislação, como a Lei de Quotas (sistema de quotas de emprego para pessoas com deficiência (grau de incapacidade ≥60%) no setor privado e público. Aplica-se a empresas com 75 ou mais trabalhadores, com quotas de 1% (médias empresas: 75-249 trabalhadores) ou 2% (grandes empresas: 250+ trabalhadores) e diversos apoios públicos (apoio à procura, formação e adaptação de postos de trabalho para pessoas com deficiência e incapacidade, bem como apoios financeiros).
Temos assim um problema de falta de mão de obra que pode colocar em causa o desenvolvimento económico da região, especialmente nos setores do turismo e agricultura.
Com os que cá estão muito pode ser feito. Basta que haja vontade política, alguma imaginação e coordenação de recursos. De todos.
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