Uma análise das economias africanas, baseada nos dados disponíveis de Produto Interno Bruto (PIB) per capita por Paridade do Poder de Compra (PPC), oferece uma imagem vívida da diversidade económica do continente e do seu imenso potencial de crescimento. O cenário económico da África está em constante transformação, impulsionado pela inovação, uma demografia jovem, a integração comercial e uma nova vaga de empreendedorismo.
Os motores da riqueza: onde o PIB per capita se destaca
A visualização do PIB (PPC) per capita revela uma disparidade significativa entre as nações, destacando os países que lideram esta métrica. Os dados sublinham que, apesar de a maioria dos países se situar na faixa de US$ 2.000 a US$ 9.000, o topo da tabela é ocupado por economias notáveis:
| País | PIB (PPC) per capita |
| 🇸🇨 Seychelles | US$ 30.505 |
| 🇲🇺 Maurício | US$ 23.699 |
| 🇬🇶 Guiné Equatorial | US$ 22.710 |
| 🇬🇦 Gabão | US$ 18.496 |
| 🇩🇿 Argélia | US$ 15.440 |
| 🇿🇦 África do Sul | US$ 13.675 |
| 🇪🇬 Egito | US$ 13.366 |

É crucial notar a posição de um dos países africanos de língua portuguesa: a Guiné Equatorial (oficialmente, português é uma das suas línguas oficiais, mas o espanhol e o francês são mais proeminentes), que se encontra entre os três primeiros, um reflexo do seu setor de recursos naturais.
O papel dos blocos comerciais: um foco na lusofonia
O futuro económico de África está a ser ativamente moldado por quatro blocos comerciais regionais principais, que promovem o comércio, o investimento e uma maior integração. A posição e as iniciativas dos países africanos de língua portuguesa (PALOP) são particularmente relevantes, dado que a sua participação nestes blocos é vital para o seu desenvolvimento e conectividade regional.
| Bloco Regional | Iniciativas Chave | Impacto e Posição dos PALOP |
| Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) | Área de Livre Comércio desde 2008. Foco em corredores de industrialização, energia e transporte. Forte coordenação macroeconómica (via África do Sul). | A Angola, Moçambique e a África do Sul (que apesar da língua principal ser o inglês, português também é falado por algumas comunidades) são membros cruciais. A SADC destaca-se em logística e infraestrutura eficientes, essenciais para a Angola e Moçambique que possuem extensas linhas costeiras e recursos. |
| Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) | Pauta aduaneira externa comum. Livre circulação de pessoas (o passaporte CEDEAO). Fortes esforços de manutenção da paz. | Cabo Verde e Guiné-Bissau são membros. A CEDEAO é líder em coordenação política e mobilidade, beneficiando estes estados insulares e de menor dimensão, apesar da harmonização comercial limitada. |
| Mercado Comum da África Oriental e Austral (COMESA) | 21 Estados-membros, o maior bloco em número. Zona de comércio livre e iniciativas de investimento transfronteiriço. | Embora menos diretamente representados que na SADC e CEDEAO, o seu enfoque em facilitação do comércio digital e o mercado expansivo oferecem oportunidades a longo prazo para o alargamento do comércio lusófono. |
| Comunidade da África Oriental (EAC) | União aduaneira e mercado comum em funcionamento. Livre circulação de mercadorias, trabalho e capital. Planos para uma União Monetária. | É o bloco mais avançado e funcional, funcionando como um modelo de integração. O seu elevado comércio intrarregional (acima de 20%) mostra o potencial de integração que os PALOP podem aspirar nos seus respetivos blocos. |
Análise do desempenho dos blocos
Pelo progresso mensurável da integração, a Comunidade da África Oriental (EAC) é o modelo de África. O seu sucesso reside na união aduaneira e mercado comum funcionais e numa forte cooperação institucional.
Embora a EAC lidere na integração, cada bloco tem as suas forças:
- SADC lidera em infraestrutura.
- CEDEAO é a melhor em estabilidade política e mobilidade.
- COMESA oferece o maior alcance geográfico.

Conclusão: o momento é real para África
A diversidade económica e o empenho na integração regional, onde os PALOP têm uma posição e iniciativas chave na SADC e CEDEAO, sinalizam que o momento de transformação económica em África é real. O investimento na integração, na melhoria das infraestruturas (como faz a SADC) e na eliminação de barreiras (o foco da CEDEAO e do COMESA) são passos cruciais para que o próximo mapa económico do continente revele um crescimento ainda mais generalizado e equitativo.
O caminho para o desenvolvimento passa pela capitalização do vasto potencial demográfico e pelo aprofundamento da integração regional, transformando o continente numa potência global coesa.

Edição e adaptação com IA de João Palmeiro com Axel Peyriere e Dishant Shah.

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