O ato de deitar uma garrafa de plástico ou uma lata de refrigerante no contentor indiferenciado, ou até no ecoponto, passará a representar um prejuízo financeiro direto para as famílias, fazendo-as pagar mais com o novo sistema. Já existe uma data oficial para a entrada em vigor do novo sistema que obriga ao pagamento de um depósito por cada embalagem.
A partir do dia 10 de abril, entra em funcionamento o sistema de depósito e reembolso (SDR) em todo o território nacional, incluindo as regiões autónomas. Na prática, isto significa que os preços de prateleira vão aumentar e quem não devolver as embalagens vazias estará, literalmente, a deitar dinheiro fora.
A informação é avançada pelo Expresso, que detalha o impacto desta medida na carteira dos consumidores. O objetivo é aumentar drasticamente as taxas de reciclagem, transformando o resíduo num ativo com valor monetário que o cidadão pode recuperar.
O custo de não reciclar
A mecânica é simples mas penalizadora para quem não aderir: por cada garrafa de plástico ou lata de alumínio (até três litros) de bebidas não lácteas, o consumidor pagará mais 10 cêntimos na caixa do supermercado. Se optar por colocar essa embalagem no lixo comum, perde esse valor irremediavelmente.
Indica a mesma fonte um exemplo concreto: num pack de seis garrafas de água de meio litro, o custo aumentará 60 cêntimos no ato da compra. Para reaver esse montante, será necessário guardar as embalagens e deslocar-se a um ponto de recolha específico.
Condições para o reembolso
Para que o dinheiro volte para o bolso do consumidor, seja em numerário, vale de desconto ou saldo em cartão, as regras são estritas. As máquinas automáticas só aceitarão as embalagens se estas estiverem intactas, o que obriga a mudar o hábito de espalmar as garrafas para poupar espaço no saco do lixo.
Explica a referida fonte que as garrafas e latas terão de manter a tampa e o rótulo original legível. Os novos produtos terão um símbolo específico junto ao código de barras, diferenciando-os dos stocks antigos que terão um período de escoamento até agosto.
Milhões investidos em máquinas
Para suportar esta operação logística, o retalho alimentar realizou um investimento massivo. Estima-se que os supermercados e hipermercados tenham gasto entre 60 e 100 milhões de euros para instalar cerca de 2500 máquinas de recolha automática nas suas lojas.
Além destas máquinas, existirão milhares de pontos de recolha manual e quiosques em diversos municípios. O sistema foi desenhado para que a devolução possa ser feita em qualquer ponto do país, independentemente do local onde a bebida foi originalmente adquirida.
O que muda no dia a dia
Este modelo visa combater o desperdício de três milhões de toneladas de resíduos que acabam anualmente em aterros. A ministra do Ambiente já admitiu a possibilidade de estender o projeto a outros tipos de embalagens se este arranque for bem-sucedido.
Explica ainda o Expresso que ficam de fora deste sistema, para já, os garrafões de plástico e as garrafas de vidro. Nestes casos, o processo de reciclagem mantém-se nos moldes tradicionais, sem cobrança de depósito adicional ao consumidor.
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