Portugal e Espanha vão ganhar uma nova ligação sobre o rio Sever, entre Montalvão, no concelho de Nisa, e Cedillo, na Estremadura espanhola, numa obra pensada para reduzir de forma expressiva os longos desvios hoje feitos na fronteira e melhorar a mobilidade entre os dois lados.
Segundo o acordo publicado em Diário da República e no Boletín Oficial del Estado, a ponte destina-se ao tráfego rodoviário, pedonal e de bicicletas e visa melhorar a circulação de veículos e pessoas entre os dois Estados, sobretudo nas regiões transfronteiriças.
De acordo com o portal espanhol El Motor, a nova infraestrutura não é apenas uma intenção política. O acordo entre os dois países foi assinado em Faro, a 23 de outubro de 2024, aprovado em Portugal pelo Decreto n.º 3/2025 e entrou em vigor a 26 de junho de 2025, segundo o Aviso n.º 13/2025/1 publicado em Diário da República.
No terreno, o projeto já deu passos concretos. A Câmara Municipal de Nisa aprovou a adjudicação da empreitada em setembro de 2025, assinou o auto de consignação em 29 de dezembro do mesmo ano e aponta para um investimento total de 19.248.350,39 euros, acrescido de IVA, para a execução da ponte e respetivas acessibilidades.
Além da adjudicação, o processo avançou com a declaração de utilidade pública urgente das expropriações publicada em novembro de 2024, com a declaração de imprescindível utilidade pública do projeto publicada em dezembro de 2025 e com a declaração de impacte ambiental favorável condicionada emitida no âmbito da APA.
Ligação direta entre Montalvão e Cedillo
A futura ponte terá cerca de 160 metros de comprimento e um tabuleiro com 11,5 metros de largura. O desenho prevê duas faixas de rodagem de 3,5 metros cada, bermas, passeios e dois arcos gémeos de betão, numa solução pensada para evitar pilares no leito regular do rio Sever.
Segundo informação divulgada pelo município de Nisa e pelo portal Recuperar Portugal, a obra inclui também as acessibilidades à nova travessia, com a requalificação da EM1139 em cerca de nove quilómetros e a criação de um novo corredor de aproximadamente 700 metros na margem portuguesa.
O objetivo central é simples: pôr fim a um isolamento rodoviário que há muitos anos condiciona as deslocações entre estas localidades raianas. De acordo com o convénio publicado em Espanha entre o Ministério dos Transportes e a Junta da Extremadura, as populações da zona fazem hoje rodeios de mais de 100 quilómetros para passar de uma localidade à outra. Já o aviso de republicação do investimento PRR da CCDR Alentejo aponta para uma redução de cerca de 85 quilómetros entre Montalvão e Cedillo com a nova travessia, diferença que decorre do percurso de referência usado em cada documento.
Obra quer mudar mobilidade na raia
O benefício direto confirmado nas fontes oficiais diz respeito sobretudo à ligação transfronteiriça nesta zona específica. Ainda assim, o acordo luso-espanhol enquadra a ponte como uma forma de melhorar a circulação de veículos e pessoas entre os dois Estados e de reforçar a coesão territorial nas regiões de fronteira.
Além da componente rodoviária, o projeto foi pensado para se integrar na paisagem e no contexto ambiental do território envolvente. A solução estrutural sem pilares no curso de água e a inclusão de espaços pedonais mostram que a obra também foi desenhada com preocupações de inserção territorial e de mobilidade mais alargada.
Calendário do lado espanhol vai até 2028
Aqui é preciso distinguir a empreitada portuguesa do calendário global dos acessos. O último concurso público lançado em agosto de 2025 para a execução da ponte e acessibilidades em território português fixou um prazo de execução contratual de seis meses. Já do lado espanhol, o convénio entre o Ministério dos Transportes e a Junta da Extremadura distribui o financiamento dos acessos entre 2025 e 2028. Por isso, 2028 surge nas fontes oficiais como horizonte financeiro da componente espanhola, e não como um prazo único e fechado já confirmado para toda a obra.
Para Nisa e para Cedillo, a nova ponte pode representar mais do que uma obra pública. Pode significar uma mudança real na relação entre territórios vizinhos, aproximando serviços, comércio, circulação de trabalhadores e novas oportunidades de desenvolvimento numa zona historicamente periférica. O próprio município de Nisa e as entidades espanholas envolvidas apresentam a infraestrutura como uma resposta a um problema antigo de isolamento e como uma peça importante para reforçar a ligação entre os dois lados da fronteira.
No essencial, a ponte sobre o rio Sever surge como uma das ligações raianas mais simbólicas dos últimos anos. Quando estiver concluída, deverá transformar uma fronteira que durante décadas funcionou como travão numa passagem mais direta entre Portugal e Espanha.
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