A aproximação a uma pista é uma das fases mais sensíveis de qualquer voo comercial e, no Aeroporto de Lisboa, um desses momentos exigiu uma decisão imediata que alterou o desfecho esperado. Um avião da Emirates não chegou a tocar no solo depois de ter sido identificada uma situação operacional que levou à interrupção da aterragem.
O episódio ocorreu na manhã do último domingo, 4 de janeiro, e envolveu outra aeronave que se encontrava na pista. De acordo com o jornal Correio da Manhã, a manobra foi desencadeada quando o avião que vinha dos Emirados Árabes Unidos já estava em aproximação final, a curta distância do aeroporto.
A manobra realizada em segundos
O Boeing 777 da Emirates encontrava-se já a uma baixa altitude quando foi detetada a presença de um avião na pista em posição de descolagem. Segundo a mesma fonte, a aeronave sobrevoava a zona das Murtas quando a tripulação percebeu que a pista não estava livre.
Nessa fase, o avião estava a cerca de 1.150 pés de altitude, o equivalente a aproximadamente 350 metros, e a cerca de um quilómetro do local de aterragem. Escreve o jornal que a decisão foi imediata e seguiu os procedimentos previstos para este tipo de situação.
Perante o cenário, os pilotos aumentaram a potência dos motores e iniciaram uma subida controlada, desviando-se da trajetória inicial. Acrescenta a publicação que a aeronave virou à direita, afastando-se do eixo da pista, numa manobra conhecida na aviação como “borrego”. A operação ocorreu pelas 11:48 h e decorreu sem incidentes adicionais. Após alguns minutos em espera, o avião da Emirates conseguiu aterrar em segurança por volta das 12 h.
O avião que estava na pista
Na pista encontrava-se outra aeronave, neste caso da easyJet, que se preparava para descolar com destino a Edimburgo, na Escócia. Esse avião foi instruído a abandonar a pista após a indicação dada ao voo da Emirates.
Apesar da ordem para sair da pista, a descolagem acabou por acontecer pouco depois. Conforme a mesma fonte, o avião da companhia de baixo custo levantou voo às 12:03 h, já com a situação totalmente regularizada. O atraso registado foi limitado e não teve impacto significativo na operação global do aeroporto. De salientar que estes ajustamentos fazem parte da gestão diária do tráfego aéreo em infraestruturas com elevada intensidade de movimentos.
Explicação da NAV Portugal
A NAV Portugal, entidade responsável pelo controlo de tráfego aéreo, minimizou o sucedido. “Ocorreu apenas uma situação de ‘borrego’, tal como acontecem várias todos os dias em aeroportos de todo o mundo”, afirmou Filipe Cardoso, porta-voz da NAV, em declarações ao mesmo jornal.
Segundo a mesma fonte, este tipo de decisão pode resultar tanto da avaliação dos pilotos como das instruções da torre de controlo e está plenamente enquadrado nos procedimentos de segurança da aviação civil.
A explicação técnica aponta para um atraso na libertação da pista. “O último avião a aterrar demorou um pouco mais do que o esperado a sair da pista”, esclareceu Filipe Cardoso, acrescentando que essa situação levou a torre de controlo a ordenar a interrupção da aterragem. O responsável garantiu ainda que “não esteve iminente qualquer colisão” entre aeronaves. De acordo com o Correio da Manhã, o episódio terminou sem feridos, danos materiais ou riscos para passageiros e tripulações.
















