Depois de vários dias marcados por condições atmosféricas relativamente estáveis, os modelos meteorológicos apontam para uma mudança significativa do estado do tempo a partir de meados da próxima semana. A formação de uma depressão fria nas proximidades do Atlântico oriental poderá provocar períodos prolongados de chuva e rajadas de vento muito intensas, que em algumas zonas mais expostas poderão aproximar-se dos 130 quilómetros por hora.
Este cenário deverá afetar o arquipélago da Madeira, onde se prevê um aumento gradual da instabilidade atmosférica a partir de meados da semana.
Durante o fim de semana e no início da próxima semana, a região continuará sob influência do anticiclone dos Açores. De acordo com o site Meteored, especializado em meteorologia e previsões atmosféricas, esta configuração atmosférica deverá garantir um cenário relativamente estável entre sábado e segunda-feira, sem previsão de tempestades organizadas ou vento particularmente significativo.
Fim de semana com estabilidade relativa
Apesar da influência anticiclónica, a estabilidade não significa ausência total de precipitação. A atmosfera permanece húmida e poderão ocorrer aguaceiros fracos e ocasionais, sobretudo nas vertentes montanhosas da ilha da Madeira.
Estes episódios estão frequentemente associados ao efeito orográfico, um fenómeno típico em regiões com relevo acentuado. O ar húmido proveniente do Atlântico é forçado a subir quando encontra as encostas montanhosas, arrefece e acaba por condensar, originando precipitação localizada.
As temperaturas deverão manter-se dentro dos valores normais para esta altura do ano. Nas zonas mais elevadas da Madeira, as máximas poderão rondar os 12 graus Celsius, enquanto nas áreas costeiras os valores deverão aproximar-se dos 18 graus.
Alteração do padrão atmosférico a partir de terça-feira
A partir da tarde de terça-feira, dia 17, o padrão atmosférico deverá começar a alterar-se gradualmente. Uma massa de ar mais frio presente nas proximidades da Madeira deverá interagir com ar de origem polar transportado para latitudes médias através da ondulação do jato polar.
Este processo poderá favorecer a reorganização da circulação atmosférica no Atlântico oriental e contribuir para a formação de uma depressão fria isolada a oeste da Península Ibérica.
À medida que o sistema se desenvolve, o fluxo de ar nas proximidades da Madeira tende a tornar-se mais instável e carregado de humidade, criando condições favoráveis para precipitação mais persistente.
Chuva poderá intensificar-se durante quarta-feira
As projeções atuais indicam que a precipitação poderá começar a intensificar-se a partir da madrugada de quarta-feira, dia 18.
Com a aproximação da depressão fria, massas de ar muito húmidas deverão ser transportadas em direção ao arquipélago da Madeira, aumentando a probabilidade de períodos de chuva contínua.
Em determinadas fases do episódio, a precipitação poderá prolongar-se durante várias horas consecutivas. As vertentes expostas ao fluxo dominante e as zonas montanhosas da ilha tendem a concentrar os maiores valores, uma vez que o relevo amplifica os mecanismos de condensação da humidade.
Acumulados de precipitação podem ultrapassar 100 milímetros
Entre o início da semana e a noite de quinta-feira, dia 19, os modelos meteorológicos indicam a possibilidade de acumulados elevados de precipitação em várias zonas da Madeira.
Em alguns locais, sobretudo nas áreas montanhosas e no setor sudoeste da ilha, os valores totais poderão ultrapassar os 100 milímetros de chuva acumulada.
Este tipo de situação é relativamente comum quando depressões frias se desenvolvem no Atlântico próximo da região, uma vez que a circulação associada a estes sistemas tende a canalizar grandes quantidades de ar húmido para o arquipélago.
Rajadas de vento poderão aumentar na quinta-feira
Além da precipitação, o vento poderá tornar-se um fator de preocupação nas últimas horas de quinta-feira. À medida que a depressão fria se aproxime e se desloque para leste, o gradiente de pressão atmosférica deverá intensificar-se, aumentando significativamente a velocidade do vento.
Segundo o Meteored, as rajadas poderão atingir valores entre 120 e 130 quilómetros por hora nas áreas mais expostas e nas zonas de maior altitude da Madeira. Nestes locais, condições desta natureza podem provocar queda de ramos, dificuldades na circulação rodoviária e também períodos de forte agitação marítima.
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