A aproximação da tempestade Marta está a gerar forte preocupação devido ao risco de vento extremo e precipitação intensa em várias regiões de Portugal continental, numa situação que poderá ser a mais severa desde a depressão Kristin.
De acordo com as previsões mais recentes do portal especializado em meteorologia Luso Meteo, a tempestade Marta poderá ser mais intensa do que inicialmente esperado, com rajadas bem acima dos 100 quilómetros por hora em algumas zonas e uma pressão mínima central inferior a 990 hPa. Está ainda em análise a possibilidade de formação de um fenómeno conhecido como stingjet, associado a tempestades particularmente violentas.
As condições atmosféricas não são idênticas às que estiveram na origem da depressão Kristin, mas continuam a ser favoráveis a uma intensificação rápida.
Mesmo que não atinja os critérios técnicos de ciclogénese explosiva, a tempestade Marta poderá registar uma descida de 12 hPa em 12 horas, ou mesmo superior a 10 hPa em apenas seis horas durante a madrugada de sábado, o que representa um cavamento muito significativo.
Incerteza nos modelos meteorológicos
Os modelos apresentam cenários distintos quanto à trajetória e intensidade do sistema. Alguns apontam para uma passagem mais a sul, com pressão central mais elevada, enquanto outros admitem uma rota mais a norte, com pressão mais baixa.
Esta última hipótese aumenta o risco de formação do chamado stingjet, visível em algumas simulações, nomeadamente no modelo ICON-EU. Trata-se de um detalhe crucial, pois pequenas alterações na trajetória poderão traduzir-se em diferenças relevantes na intensidade do vento sentido à superfície, de acordo com a mesma fonte.
Risco elevado de vento no litoral
Apesar da incerteza, os meteorologistas consideram que esta poderá ser, depois da Kristin, a situação mais intensa em termos de vento. Ainda assim, tudo indica que não deverá atingir os mesmos níveis extremos. O litoral entre Braga e Lisboa, incluindo a faixa até Setúbal, deverá manter-se sob especial vigilância. No pior cenário, as rajadas máximas poderão atingir valores entre 140 e 150 quilómetros por hora, sobretudo caso se confirme a formação de um fenómeno mais severo.
Mesmo num cenário menos extremo, prevê-se vento muito forte no Centro e Sul, com elevada probabilidade de rajadas superiores a 100 quilómetros por hora, incluindo na Área Metropolitana de Lisboa. Existe risco de danos estruturais, queda de árvores e perturbações em infraestruturas.
Horas mais críticas no Sul e possível agravamento à tarde
O pico do vento nas regiões mais a sul deverá ocorrer entre as 7 e as 12 horas de sábado, com especial incidência nos distritos de Lisboa, Évora, Setúbal, Beja e Faro. Durante uma a duas horas, o vento médio poderá superar os 60 quilómetros por hora no litoral, com rajadas ocasionalmente superiores a 100, de acordo com a fonte anteriormente citada.
Caso se desenvolva um fenómeno mais severo, dependente ainda da evolução da perturbação, o período mais crítico poderá estender-se à tarde, entre as 14 e as 20 horas, afetando sobretudo o Norte e Centro do país.
O stingjet, fenómeno raro associado a tempestades muito intensas, recebe este nome pela forma semelhante à cauda de um escorpião nas imagens de satélite. Consiste numa corrente de ar que desce rapidamente dentro da tempestade, originando ventos muito fortes e localizados à superfície. Apesar de ter curta duração, pode provocar danos significativos, como já se verificou em episódios anteriores.
A cerca de 24 horas da eventual ocorrência, e com vários modelos a sugerirem essa possibilidade, as autoridades recomendam precaução e preparação atempada.
Chuva intensa e subida dos caudais
Para além do vento, a precipitação também merece atenção. Está prevista chuva mais intensa a sul do Mondego entre as 6 e as 12 horas, com especial incidência nos distritos de Leiria, Lisboa, Portalegre, Santarém, Évora, Beja e Faro.
Esta situação poderá contribuir para a subida dos caudais dos rios Tejo, Sado e Guadiana. Mais a norte também deverá chover com intensidade, e durante a tarde a precipitação tende a deslocar-se para as montanhas espanholas, onde poderá ocorrer sob a forma de neve, influenciando posteriormente o caudal do Tejo. Os totais acumulados previstos variam consoante o modelo, mas apontam para valores entre 35 e 60 litros por metro quadrado em 12 horas no Centro e Sul, e entre 15 e 30 litros por metro quadrado no Norte.
Risco de cheias e deslizamentos
Para além do risco de cheias, poderão ocorrer enxurradas, inundações em zonas urbanas vulneráveis e derrocadas, sobretudo na Área Metropolitana de Lisboa durante a manhã. Existe ainda possibilidade da tempestade Marta trazer movimentos de massa e deslizamentos de terras em áreas mais sensíveis, particularmente onde os solos já se encontram saturados, refere ainda a Luso Meteo.
Perante o grau de incerteza ainda presente nas previsões, as autoridades apelam à adoção de medidas preventivas e ao acompanhamento regular das informações oficiais, numa altura em que qualquer alteração na trajetória poderá fazer a diferença na intensidade dos impactos.
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