O anticiclone deverá trazer uma breve pausa na instabilidade, mas os principais modelos meteorológicos apontam para o regresso da chuva ainda antes do final de fevereiro, num contexto que mantém elevado o risco de cheias em várias bacias do país.
De acordo com o Luso Meteo, site especializado em meteorologia, a precipitação deverá persistir até ao dia 19, diminuindo ao longo desse dia. Entre os dias 20 e 23 são esperados períodos secos e temperaturas acima da média para a época, localmente próximas dos 25 graus.
A partir de dia 24, porém, aumenta novamente a probabilidade de chuva, com a possível passagem de duas a três frentes atlânticas até ao final do mês, com maior impacto nas regiões do Norte.
Pausa curta antes de novo período húmido
As projeções mais recentes dos ensembles do Centro Europeu de Previsões a Médio Prazo indicam uma subida significativa da probabilidade de precipitação no final de fevereiro e início de março, passando de valores residuais para cerca de 75 por cento. O mesmo sinal surge em modelos de natureza distinta, incluindo sistemas baseados em inteligência artificial, o que reforça a consistência do cenário.
Ainda assim, não há para já indicação de acumulados comparáveis aos registados no início do mês, quando a persistência de depressões atlânticas levou a totais de precipitação várias vezes superiores ao normal em algumas regiões. O contexto atual, contudo, é diferente. Com os solos saturados, mesmo episódios de chuva moderada poderão traduzir-se em novos problemas de escoamento e subida de caudais.
Os Açores deverão voltar a registar períodos de precipitação intensa, enquanto a Madeira permanece sob maior influência anticiclónica.
O que explica a mudança de cenário
A evolução prevista está ligada à interação entre vários fatores de grande escala, nomeadamente o enfraquecimento e posterior reorganização do vórtice polar, as alterações no momento angular atmosférico e a fase da oscilação Madden Julian.
O enfraquecimento do vórtice polar tem permitido um jato polar mais ondulado e menos intenso, favorecendo intervalos de maior estabilidade. No entanto, a reorganização prevista para o final do mês poderá reforçar novamente a circulação de oeste, criando condições para a formação de novas depressões no Atlântico e aumentando a frequência de frentes a atingir a Península Ibérica.
Tal como refere a mesma fonte, o posicionamento final do vórtice será determinante. Um núcleo mais próximo da Gronelândia tenderá a favorecer episódios de chuva mais persistente e generalizada em Portugal. Uma configuração mais centrada deverá traduzir-se em precipitação mais irregular e concentrada no Norte e Centro.
A fase 4 a 6 da oscilação Madden Julian, com convecção ativa sobre o Índico e o Pacífico ocidental, é outro elemento que poderá favorecer o cavamento de depressões atlânticas e a descida das trajetórias das baixas pressões em latitude.
Risco mantém-se nas próximas semanas
Para já, as médias dos ensembles não indicam acumulados excecionais até ao início de março, mas a incerteza aumenta para horizontes temporais mais longos. A evolução diária dos modelos será determinante para avaliar se o jato polar se mantém mais a norte ou se desce de latitude, cenário que aumentaria o potencial de precipitação intensa.
Segundo o Luso Meteo, mesmo um regime de chuva considerada normal para a época poderá agravar a situação hidrológica, dada a saturação dos solos e os níveis elevados de alguns cursos de água. A monitorização nas próximas semanas será, por isso, essencial para avaliar o risco de novas cheias.
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