Durante pelo menos mais uma semana, Portugal continental continuará sob a influência de um padrão atmosférico marcado pela chuva persistente e por sucessivas depressões atlânticas. A possibilidade de uma mudança surge apenas mais perto de meados de fevereiro, com o anticiclone a dar sinais de aproximação, ainda que sem garantias de estabilidade prolongada. O tema central das previsões é claro: o regime húmido mantém-se e o risco associado à acumulação de precipitação continua elevado, sobretudo a Norte e no Centro do país.
A chuva deverá prolongar-se até cerca de 11 de fevereiro, com períodos de maior intensidade intercalados com breves tréguas. Estão identificados vários momentos críticos ao longo destes dias, associados à passagem de sistemas frontais ativos e à depressão Leonardo, que deverá afetar grande parte do território com precipitação generalizada, vento forte e, pontualmente, trovoada. Mesmo nos dias em que se antecipam algumas abertas, o cenário dominante continua a ser de instabilidade.
De acordo com o Luso Meteo, plataforma portuguesa especializada em meteorologia e ciências atmosféricas, este comportamento do tempo está ligado à posição anormalmente recuada do anticiclone dos Açores, atualmente mais a sul do que é habitual.
Esta configuração permite a entrada de um fluxo marítimo subtropical, húmido e relativamente ameno, favorecendo a circulação de depressões em latitudes mais baixas e a sucessiva passagem de frentes sobre Portugal.
Um padrão persistente com impactos acumulados
A manutenção deste regime não levanta apenas questões de desconforto quotidiano. A acumulação de precipitação ao longo de várias semanas começa a ter efeitos significativos nos caudais dos rios e no risco de cheias, uma situação que poderá agravar-se caso as temperaturas subam e acelerem o degelo nas zonas montanhosas do Norte e Centro.
Entre os dias 12 e 15 de fevereiro, os modelos começam a sugerir um aumento gradual da influência anticiclónica. Este eventual reforço das altas pressões poderá traduzir-se num tempo mais seco, sobretudo a Sul, e numa subida das temperaturas, que em alguns locais poderão aproximar-se dos 20 graus. No entanto, este cenário não implica um corte definitivo com a precipitação, já que a Norte e no Centro continuam a existir sinais de chuva ocasional.
Nos arquipélagos, o cenário é distinto. Nos Açores, a previsão aponta para a continuidade da passagem de superfícies frontais, com vento predominante de sudoeste e elevados níveis de humidade.
Apesar de não estarem previstas tempestades após a depressão Leonardo, o padrão mantém-se instável e chuvoso. Na Madeira, o tempo deverá permanecer relativamente calmo, com alternância entre dias mais húmidos e outros mais secos, sem precipitação significativa.
Um anticiclone que pode não chegar a mandar
A questão que se coloca é até que ponto o anticiclone conseguirá impor-se na segunda quinzena de fevereiro. Os sinais existem, mas são mistos. A ausência, para já, de um aquecimento súbito da estratosfera e a possibilidade de reintensificação da corrente de jato polar deixam em aberto a hipótese de novas investidas atlânticas, capazes de limitar a duração e a eficácia do tempo mais seco.
Segundo o Luso Meteo, mesmo que a alta pressão suba em latitude e aumente o geopotencial sobre Portugal continental, dificilmente conseguirá bloquear por completo a circulação atlântica, sobretudo a Norte.
O cenário mais provável aponta para um país dividido, com maior probabilidade de tempo seco a Sul e continuidade de precipitação nas regiões setentrionais, prolongando a vigilância sobre o risco de cheias e a gestão dos recursos hídricos.














