Portugal atravessa um período de instabilidade meteorológica pouco comum, marcado por chuva persistente, vento forte e episódios recorrentes de agitação marítima. A explicação para este cenário está num desvio do jato polar para latitudes mais baixas, que está a colocar o território nacional no trajeto direto de sucessivas depressões atlânticas, como tem vindo a salientar o Meteored, site especializado em meteorologia.
Nos últimos dias, o país foi atingido por várias tempestades com impacto significativo, com precipitação generalizada e acumulados elevados, sobretudo nas regiões Norte e Centro.
De acordo com a mesma fonte, a depressão Kristin foi um dos episódios mais intensos desta sequência, deixando danos relevantes em zonas do litoral e confirmando a severidade do padrão atmosférico que se instalou.
Porque é que o jato polar mudou de rota
Segundo o Meteored, mantém-se um bloqueio persistente de altas pressões entre a Groenlândia e a Escandinávia. Esta configuração atua como uma barreira na circulação atmosférica e desvia as depressões para latitudes mais a sul, forçando o jato polar a circular numa faixa invulgarmente baixa.
De acordo com a publicação, é este “bloqueio” que ajuda a explicar a sucessão de frentes ativas a chegar ao Sudoeste da Europa, com Portugal frequentemente no caminho, sobretudo quando a circulação dominante se organiza de Oeste e Sudoeste.
Até quando vai durar a chuva intensa
A publicação aponta que, no curto e médio prazo, a tendência mais consistente é a manutenção deste padrão pelo menos durante a primeira quinzena de fevereiro. Isso significa que novas depressões e frentes associadas poderão continuar a atravessar ou a influenciar Portugal continental nos próximos dias, com episódios de chuva por vezes intensa e vento forte.
Para a segunda metade de fevereiro, a mesma fonte refere que a incerteza aumenta. Alguns cenários sugerem uma aproximação do anticiclone dos Açores ao continente, o que poderia reduzir a frequência da precipitação.
Outros mantêm aberta a possibilidade de novas entradas de ar polar e da continuação do regime instável. Para já, não existe um cenário dominante que permita antecipar uma mudança duradoura.
Estas serão as regiões mais afetadas
A precipitação deverá continuar a ser mais expressiva nas regiões a norte do sistema montanhoso Montejunto Estrela. O Minho, o Douro Litoral e várias zonas do Centro surgem recorrentemente como áreas com maior probabilidade de acumulados elevados, sobretudo quando coincidem frentes ativas com fluxos de Oeste e Sudoeste.
Segundo a mesma publicação, esses fluxos favorecem o transporte de grandes quantidades de humidade, por vezes sob a forma de rios atmosféricos, aumentando a probabilidade de chuva persistente e localmente forte nas zonas mais expostas ao vento marítimo.
Nos arquipélagos, há maior exposição dos Açores à passagem destas depressões e frentes atlânticas, enquanto a Madeira tende a escapar à maioria dos episódios mais severos, devido à sua posição e ao desenho habitual das trajetórias.
Riscos associados à chuva prolongada
Com vários dias consecutivos de precipitação, cresce o risco de cheias rápidas, inundações urbanas, derrocadas e deslizamentos de terras, sobretudo em áreas com drenagem deficiente e encostas mais vulneráveis. O problema agrava-se quando a chuva intensa coincide com solos já saturados por episódios anteriores.
A mesma fonte chama ainda a atenção para o possível efeito combinado entre precipitação abundante e subida temporária das temperaturas em alguns momentos, que pode acelerar o derretimento da neve acumulada nas principais serras.
Esse degelo, somado à chuva, poderá contribuir para uma subida mais rápida dos caudais, aumentando o risco de transbordos em linhas de água.
Apesar do impacto no dia a dia, este período chuvoso poderá também traduzir-se numa reposição significativa das reservas hídricas, fator relevante para os meses mais secos.
Ainda assim, como nota o Meteored, a prioridade imediata passa por acompanhar a evolução das previsões e os avisos emitidos pelas autoridades, sobretudo nas regiões mais expostas.















