Portugal entra numa semana marcada por chuva persistente e, em alguns locais, excecionalmente intensa, num cenário meteorológico dominado pela passagem sucessiva de frentes atlânticas ativas. A chuva deverá atingir praticamente todo o território continental, com maior incidência no Norte e Centro, onde os acumulados previstos podem aproximar-se do que normalmente cai ao longo de um mês inteiro.
De acordo com o Meteored, site especializado em meteorologia, fevereiro arrancou sem sinais de estabilização atmosférica, prolongando um padrão já observado em janeiro.
A circulação zonal intensa no Atlântico Norte está a favorecer a entrada contínua de sistemas frontais carregados de humidade, impedindo períodos prolongados de tempo seco.
Uma sequência de frentes sem margem para recuperação dos solos
Segundo a mesma fonte, a sucessão rápida de frentes atlânticas impede que os solos tenham tempo para absorver a água acumulada. Em muitas regiões, o terreno encontra-se já saturado, o que aumenta a escorrência superficial e a pressão sobre linhas de água e bacias hidrográficas.
A previsão aponta para chuva frequente ao longo de toda a semana em Portugal, com episódios mais intensos a meio do período, sobretudo entre quarta e quinta-feira. Nestes dias, a precipitação poderá ser acompanhada por vento forte, em especial nas regiões montanhosas do Norte, onde as rajadas poderão ultrapassar os 100 km/h.
Noroeste pode concentrar os valores mais elevados
Os mapas de acumulação indicam que o Noroeste do país será a região mais exposta. Em áreas como o Minho e o litoral Norte, os valores acumulados até ao final da semana podem atingir os 300 milímetros, um registo que, em condições normais, corresponde a uma parte significativa da precipitação mensal de fevereiro.
No litoral entre Viana do Castelo e Aveiro, os acumulados poderão ultrapassar os 220 milímetros. Também algumas zonas do Centro, como o Pinhal Interior e áreas da Região Centro Norte, poderão registar valores superiores a 200 milímetros, de acordo com o Meteored.
Mesmo nas regiões menos afetadas, como a Beira Interior, a precipitação prevista continua acima da média, com valores que poderão rondar os 60 milímetros em poucos dias.
Agitação marítima e vento agravam o cenário
Além da chuva, a previsão aponta para períodos de agitação marítima significativa ao longo da costa ocidental, com ondulação elevada e avisos meteorológicos ativos em vários distritos.
O vento deverá intensificar-se em alguns momentos, agravando o risco de queda de árvores e estruturas fragilizadas por episódios anteriores de mau tempo.
Segundo a publicação especializada, este tipo de configuração atmosférica é típica de fases em que o jato polar se mantém ativo e direcionado para a Península Ibérica, canalizando sucessivas depressões atlânticas para a mesma área geográfica.
Chuva não é excecional, mas a persistência é o fator crítico
Os especialistas sublinham que, embora a chuva faça parte do padrão climatológico desta época do ano, o fator mais relevante neste episódio é a persistência.
A acumulação de grandes volumes de precipitação num curto espaço de tempo aumenta o risco de cheias, inundações urbanas e instabilidade de taludes, sobretudo em regiões já vulneráveis.
O Meteored recomenda o acompanhamento regular das previsões e avisos meteorológicos, uma vez que pequenas variações na trajetória das frentes podem alterar significativamente a distribuição da chuva.
Para já, o cenário aponta para vários dias consecutivos de precipitação, com impacto mais significativo no Norte e Centro do país.














