Portugal continental prepara-se para uma semana marcada por precipitação excecional, com volumes de chuva que, em alguns locais, podem ultrapassar em poucos dias a média habitual de todo o mês de fevereiro. A combinação entre chuva persistente, solos totalmente saturados, rios com caudais elevados e episódios de vento forte cria um cenário de risco elevado a extremo de cheias, sobretudo nas regiões Norte e Centro do país.
De acordo com o Luso Meteo, site especializado em meteorologia, os modelos meteorológicos apontam para um padrão atmosférico muito instável entre os dias 2 e 8 de fevereiro, associado à sucessiva passagem de depressões atlânticas e a uma circulação de oeste particularmente ativa. Este tipo de configuração favorece a entrada contínua de ar muito húmido, alimentando precipitação prolongada e, por vezes, intensa.
Solos saturados e rios sob pressão agravam o risco
Segundo a mesma fonte, a situação é particularmente delicada devido ao estado atual dos solos, que se encontram praticamente sem capacidade de absorção.
A chuva que cair nos próximos dias tenderá a escorrer rapidamente para linhas de água, ribeiras e rios principais, aumentando o risco de galgamentos de margens e inundações repentinas.
As bacias hidrográficas do Douro, Vouga, Mondego e Tejo são apontadas como as mais vulneráveis. Nestes sistemas, os níveis de água já se encontram elevados, fruto da precipitação acumulada nas últimas semanas e, em alguns casos, do degelo em curso nas zonas montanhosas do Norte e Centro.
O Luso Meteo sublinha que, em cenários deste tipo, mesmo precipitações que isoladamente não seriam extremas podem ter efeitos significativos, uma vez que ocorrem sobre um território já fragilizado.
Norte e Centro concentram os maiores acumulados
As previsões indicam que os maiores volumes de chuva deverão concentrar-se na metade ocidental do país, com especial incidência nos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Viseu e Vila Real.
Em áreas montanhosas do Minho, Alto Tâmega, Serra da Estrela e zonas a barlavento da Barreira de Condensação, os acumulados podem ultrapassar os 150 milímetros em poucos dias.
De acordo com a publicação meteorológica, também a faixa costeira entre a Figueira da Foz e o litoral algarvio poderá registar períodos de precipitação persistente, ainda que com menor intensidade no interior e no sotavento algarvio.
Vento forte e mar agitado aumentam os impactos
A instabilidade não se fará sentir apenas pela chuva. A mesma fonte refere a probabilidade de períodos de vento moderado a forte, com rajadas que poderão ultrapassar os 70 quilómetros por hora em zonas costeiras e terras altas, especialmente entre domingo e segunda-feira e novamente a meio da semana.
A agitação marítima será outro fator de risco, com ondas de 3 a 5 metros na costa ocidental, podendo atingir valores superiores em momentos mais críticos. Este cenário aumenta a probabilidade de galgamentos costeiros e condiciona operações marítimas e portuárias.
Açores e Madeira com cenários distintos
Nos Açores, o Luso Meteo aponta para uma semana também chuvosa, com episódios de vento forte e precipitação por vezes persistente, ainda que dentro de um padrão típico de inverno atlântico, com alguns momentos mais severos associados à passagem de depressões.
Na Madeira, o cenário é mais estável. A previsão indica precipitação ocasional, sobretudo em alguns dias específicos da semana, mas sem valores excecionais, com temperaturas próximas das médias climatológicas e vento sem expressão extrema.
Autoridades apelam à precaução
Perante este enquadramento, especialistas alertam para a necessidade de acompanhar atentamente os avisos meteorológicos e as indicações da Proteção Civil.
A conjugação de chuva intensa, rios no limite, solos saturados e estruturas fragilizadas por temporais recentes aumenta significativamente o potencial de ocorrências com impacto em pessoas, habitações e infraestruturas.
A evolução da situação continuará a ser monitorizada ao longo da semana, sendo aconselhada especial cautela nas zonas ribeirinhas e em áreas historicamente vulneráveis a cheias.















