Durante cerca de 20 minutos, a localidade de Cabanas de Tavira, no concelho de Tavira, ficou coberta por uma camada branca que surpreendeu moradores e visitantes, num fenómeno meteorológico pouco comum no Algarve. O episódio ocorreu ao início da tarde de sábado, 17 de janeiro, e rapidamente gerou dúvidas sobre a sua natureza.
Apesar da aparência pouco habitual, o fenómeno não esteve relacionado com neve. Tratou-se de uma queda intensa de granizo, suficientemente concentrada para alterar temporariamente a paisagem urbana e dar origem a imagens que rapidamente circularam nas redes sociais.
Um episódio curto, mas marcante
De acordo com o jornal Correio da Manhã, a queda de granizo registou-se por volta das 15 h e prolongou-se por aproximadamente 20 minutos, tempo suficiente para “pintar de branco” ruas, telhados e espaços exteriores da vila algarvia.
Este tipo de ocorrência é raro na região, sobretudo com esta intensidade e duração, o que contribuiu para a surpresa generalizada e para a associação imediata, ainda que errada, à queda de neve.
Por que não era neve
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) informa que o tipo de precipitação que chega ao solo depende das condições térmicas da atmosfera em que se forma. A neve ocorre quando a temperatura ambiente é igual ou inferior a zero graus Celsius.
Por sua vez, a chuva e o granizo estão associados ao crescimento vertical das nuvens e aos movimentos ascendentes e descendentes no seu interior, o que permite a formação de pedras de gelo que caem sob a forma de granizo, mesmo em regiões onde a temperatura à superfície é positiva.
Importa ainda destacar que a raridade deste fenómeno no Algarve está diretamente relacionada com as características climáticas da região. A proximidade ao mar e a influência do Oceano Atlântico contribuem para temperaturas mais amenas ao longo do ano. Escreve o site Albufeira.com que o Algarve regista, em média, mais de 300 dias de sol por ano e cerca de 3.000 horas de luz solar, com invernos suaves e baixa pluviosidade, o que torna episódios de precipitação sólida particularmente invulgares.
Inverno ameno e exceções pontuais
Durante o inverno, as temperaturas diurnas no litoral algarvio raramente descem abaixo dos 12 graus, sendo mais comum observar quedas de neve apenas nas zonas mais elevadas da serra de Monchique. Conforme a mesma fonte, mesmo nos meses mais frios, o sol tende a aquecer rapidamente o ar durante o dia, permitindo atividades ao ar livre e reforçando a perceção de estabilidade climática na região.
A primavera chega cedo ao Algarve, com algum período de instabilidade em março e abril, enquanto o verão é dominado por tempo seco e temperaturas elevadas, atenuadas pela brisa marítima. No outono, explica o Albufeira.com, o clima mantém-se próximo do verão até outubro, sendo apenas no final de novembro que a chuva se torna mais frequente, num ciclo que ajuda a explicar as razões pelas quais episódios como o de Cabanas de Tavira continuam a ser exceções.
Leia também: Portugal sob ‘ataque’ do frio polar: chuva a potes e frio extremo só vão ‘poupar’ estas duas regiões















