O risco de inundações costeiras e em zonas ribeirinhas pode começar a baixar em Portugal a partir de 9 de fevereiro, quando a Lua entra no quarto minguante (às 12:43, em hora local), uma fase associada a marés menos “extremas” (marés mortas). A descida não é automática nem garante “adeus cheias”: apenas reduz a componente “maré” do problema, que volta a ganhar força à medida que se aproxima a Lua nova de 17 de fevereiro.
De acordo com os cientistas da NASA, o que está em causa é a amplitude, a diferença entre a baixa-mar e a preia-mar. Nas marés vivas (ou “águas vivas”), essa diferença aumenta e o mar pode atingir picos mais altos; nas marés mortas, a variação é menor e, em regra, há mais “margem” para o sistema aguentar ondas, vento e chuva intensa.
Em episódios de mau tempo, essa margem faz diferença. Quando a preia-mar já está elevada, a ondulação precisa de menos para galgar marginais e passadiços, e a água doce dos rios e ribeiras pode escoar com mais dificuldade nos estuários, aumentando a probabilidade de alagamentos em zonas baixas e risco de inundações.
O que muda a 9 de fevereiro (e porque isso pode “aliviar”)
A 9 de fevereiro, a Lua entra no quarto minguante, e é precisamente à volta dos quartos que surgem as marés mortas (neap tides), porque Sol e Lua ficam mais “desalinhados” (em ângulo) e a força combinada que puxa pela água diminui.
Isto não quer dizer que o mar fique “calmo”: significa apenas que, do ponto de vista astronómico, tende a haver menos extremos entre a maré cheia e a maré vazia. Em Portugal, onde o regime de marés é maioritariamente semidiurno (normalmente duas preia-mares e duas baixa-mares por dia), a diferença entre marés vivas e mortas nota-se sobretudo na altura atingida na preia-mar.
Na prática, o “efeito” sente-se sobretudo nos dias em redor desta mudança de fase. E há um pormenor importante: a partir do quarto minguante, a amplitude não fica baixa para sempre, ela volta a crescer gradualmente até à Lua nova (17 de fevereiro, 12:01), quando regressam as marés vivas.
Porque é que o mau tempo torna as marés mais perigosas
Quando há tempestades e depressões, entram fatores meteorológicos que sobem o nível do mar acima do previsto nas tabelas: vento persistente a empurrar água para a costa e pressão atmosférica baixa (o chamado “efeito barómetro invertido”), que também eleva o nível do mar. É por isso que se fala em “storm surge” (sobreelevação).
Ou seja: a maré astronómica diz “quanto devia subir”; o tempo pode acrescentar “mais uns centímetros (ou mais)”. E quando isso coincide com ondulação forte, cresce o risco de galgamentos costeiros, um cenário que o IPMA acompanha através de avisos de agitação marítima.
Há ainda o terceiro ingrediente: a chuva. Com caudais a subir, estuários e zonas ribeirinhas ficam mais vulneráveis, sobretudo se a preia-mar “fechar a porta” ao escoamento durante algumas horas. É nesta soma, maré + vento + ondas + chuva, que nascem muitos episódios de inundações urbanas e ribeirinhas.
Adeus cheias e risco de inundações a partir de 9 de fevereiro?
A partir de 9 de fevereiro, a tendência é haver menos amplitude de maré, o que pode baixar o risco em locais onde a preia-mar máxima é o gatilho para a água entrar. Mas isto só se traduz em melhoria se o mau tempo também aliviar; caso contrário, vento e ondas podem continuar a causar problemas mesmo em maré menos “viva”.
Além disso, o “alívio” é temporário: com a aproximação da Lua nova de 17 de fevereiro, as marés voltam a ganhar expressão, e esse é um detalhe que importa quando se olha para previsões de vários dias.
Para saber o que realmente conta em cada zona, o melhor é cruzar previsões meteorológicas com as Tabelas de Marés do Instituto Hidrográfico, que indicam horas e alturas de preia-mar/baixa-mar por porto e ajudam a perceber quando ocorre o pico local.
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