O caso do desaparecimento de Ricardo Claro, gestor de um restaurante de luxo no Algarve, continua a ganhar novos contornos. O principal suspeito, já detido, terá manifestado intenção de fugir para o Brasil, um elemento que surge agora como central na investigação e que ajudou a justificar a aplicação de prisão preventiva.
Ricardo Claro, de 50 anos, desapareceu a 13 de março, após ter jantado com a mãe. Desde então, não voltou a ser visto e o seu paradeiro continua desconhecido. Nos últimos dias, têm surgido novos elementos que procuram reconstruir o que aconteceu antes e depois do desaparecimento.
Intenção de fuga reforçou medida de coação
De acordo com o Correio da Manhã, o suspeito, identificado como Rogério, terá admitido às autoridades que ponderava abandonar o país. O homem, natural do Brasil, tem também nacionalidade portuguesa.
Segundo a mesma fonte, esta intenção de fuga foi um dos fatores determinantes para o tribunal decidir pela aplicação da medida de coação mais gravosa, considerando existir risco elevado de evasão. O suspeito foi presente a juiz e ficou em prisão preventiva, numa fase em que a investigação ainda decorre.
Suspeito é apontado como elemento central
De acordo com a publicação, Rogério é apontado como o principal articulador do alegado plano de rapto e roubo. Terá vivido dentro de um carro emprestado na zona da Penha, em Faro, perto da residência da vítima.
Essa proximidade terá permitido ao suspeito acompanhar a rotina de Ricardo Claro, facilitando a recolha de informação relevante para o plano. O próprio admitiu ter colaborado na preparação do crime, nomeadamente através da partilha de dados sobre a vítima, embora negue envolvimento direto no desaparecimento.
Relação anterior entre os dois
Um dos elementos que continua a ser analisado pelas autoridades é a ligação entre o suspeito e a vítima. De acordo com a mesma fonte, ambos trabalharam no restaurante Well, em Vale do Lobo, onde Ricardo Claro exercia funções de gestão. Terão mantido uma relação de proximidade, cujos contornos ainda não são totalmente conhecidos. Este histórico comum poderá ter sido determinante para o acesso a informações internas e hábitos do gestor.
Cartões bancários continuam no centro da investigação
Tal como já tinha sido divulgado, a Polícia Judiciária está a seguir o rasto dos cartões bancários de Ricardo Claro. Segundo o Correio da Manhã, foram realizados levantamentos e pagamentos na zona da Grande Lisboa após o desaparecimento. Há suspeitas de que terceiros tenham sido utilizados para efetuar essas operações. Este elemento continua a ser considerado crucial para identificar os restantes suspeitos, que poderão já ter abandonado o país.
Valores retirados do restaurante
Além dos movimentos bancários, há também indícios de que terão sido retiradas quantias significativas do restaurante gerido pela vítima. De acordo com a publicação, foram levados dezenas de milhares de euros do cofre do estabelecimento, que terá sido aberto com os códigos de acesso de Ricardo Claro. Este dado reforça a hipótese de que os envolvidos tinham conhecimento direto do funcionamento do espaço.
Percursos de fuga sob análise
As autoridades admitem que os restantes suspeitos terão saído de Portugal pouco depois dos factos. Como explica a publicação, um dos indivíduos terá seguido até Huelva, em Espanha, onde apanhou um comboio para Madrid e, posteriormente, um voo com destino ao Brasil. Outro terá partido de Lisboa com o mesmo destino. Estes movimentos estão agora a ser analisados no âmbito da investigação.
Novas pistas encontradas em Olhão
O carro de Ricardo Claro, um Peugeot 2008, foi encontrado estacionado junto a um restaurante em Olhão. De acordo com a mesma fonte, a chave da viatura foi descoberta por crianças na zona. No local, foram ainda recolhidos vários objetos, incluindo casacos, um molho de chaves e fita adesiva. Estes elementos estão a ser analisados pelas autoridades como possíveis indícios relevantes.
Buscas continuam sem respostas
Enquanto decorre a investigação, familiares e amigos mantêm as buscas no terreno, recorrendo a drones para tentar localizar qualquer pista. As operações têm-se concentrado entre Olhão e Vale do Lobo, onde surgiram os últimos sinais relacionados com o caso.
Apesar dos novos desenvolvimentos, o desaparecimento de Ricardo Claro continua sem uma explicação definitiva. A investigação prossegue, com as autoridades a tentar esclarecer os factos e apurar responsabilidades.
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