Uma vaga de criminalidade violenta está a gerar um clima de forte insegurança nas zonas mais nobres da capital portuguesa. Os relatos de quem já passou pelo pesadelo descrevem um método de atuação frio e calculado, protagonizado por criminosos que se misturam no trânsito diário sem levantar suspeitas. O disfarce utilizado é tão comum nas grandes cidades que passa despercebido à maioria dos condutores até ser tarde demais para reagir.
Os assaltantes fazem-se passar por estafetas de entrega de comida ao domicílio para selecionar e atacar as suas vítimas em plena luz do dia. O esquema envolve seguir viaturas de gama alta ou pessoas que ostentem bens valiosos até que estas sejam obrigadas a imobilizar o carro num sinal vermelho ou no meio do trânsito.
A informação é avançada pelo Nascer do SOL, que detalha o modus operandi do chamado gangue do Rolex. Este grupo organizado já fez mais de duas dezenas de vítimas em Lisboa, utilizando armas de fogo e a coação física para subtrair relógios avaliados em dezenas de milhares de euros.
O testemunho do terror
Um dos lesados descreveu ao pormenor a armadilha em que caiu junto à zona do El Corte Inglés, revelando a paciência dos criminosos. A vítima percebeu tarde demais que tinha sido vigiada desde que estava numa esplanada e explicou o sucedido: “seguiram-me até eu ficar parado num sinal, acabando por me bater por trás. Nem tive tempo de dizer nada, pois só senti uma pistola encostada à cabeça e ficar sem relógio”.
Indica a mesma fonte que, ao sair do carro para verificar os danos do suposto acidente, o condutor nem teve tempo de reagir. Sentiu de imediato o cano de uma pistola encostado à cabeça e foi despojado do seu relógio sem qualquer hipótese de defesa, percebendo então que o embate tinha sido apenas uma manobra de distração.
Figuras públicas na lista de vítimas
O rol de pessoas atacadas inclui nomes conhecidos da praça pública, como uma deputada e o famoso chef Olivier Costa. O empresário da restauração e a sua família foram alvos preferenciais deste grupo, perdendo peças de relojoaria de valor incalculável em diferentes ocasiões.
Explica a referida fonte que a situação de insegurança levou o chef a contratar segurança privada para garantir a integridade da família. Olivier Costa lamenta que o centro da cidade esteja a tornar-se num local perigoso, comparando a falta de policiamento visível com a segurança existente noutros destinos turísticos internacionais.
Zonas de risco e táticas
Os criminosos alteraram recentemente as suas zonas de atuação preferenciais para dificultar a ação policial. Se no início do ano os roubos concentravam-se na Avenida da Liberdade, agora o foco parece ter mudado para as áreas de Campolide, Amoreiras e Avenida António Augusto Aguiar.
O método passa por observar discretamente quem utiliza relógios de luxo ou frequenta lojas de marcas exclusivas. Os assaltantes, que atuam sempre de capacete para impedir a identificação, comunicam entre si para coordenar o seguimento da viatura alvo até ao momento exato da abordagem armada.
Polícia com dificuldades operacionais
A investigação destes crimes violentos está nas mãos da Polícia Judiciária, que enfrenta constrangimentos materiais significativos. Segundo consta, a equipa responsável aguarda há vários meses por verbas para adquirir uma moto que permita perseguir os suspeitos em igualdade de meios no trânsito urbano.
Por seu lado, a PSP está a apostar no reforço da videovigilância no eixo central da cidade para tentar dissuadir e identificar os autores. Apesar do alarme social gerado por estes episódios, as autoridades garantem estatisticamente que a criminalidade grave diminuiu no último ano.
Explica ainda o Jornal SOL que o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, tem exigido um reforço de 500 agentes para patrulhar a capital. A recomendação policial para quem se veja nesta situação limite é clara e visa a preservação da vida: não oferecer resistência e entregar os bens.
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